1 de fevereiro de 2026
Politica

Ao lançar governadores à Presidência, PSD sinaliza mudança arriscada de trajetória

Quando o Partido Social Democrático (PSD) foi criado, em 2011, sua principal liderança, Gilberto Kassab, definiu-o de forma negativa: “o PSD não será de direita, não será de esquerda, nem de centro”. A frase não era um truque retórico. Ela revelava uma estratégia clara: abdicar do protagonismo presidencial para maximizar poder político no Legislativo e na política subnacional.

Desde então, o PSD seguiu essa trajetória. Ao evitar amarras ideológicas e candidaturas presidenciais, o partido se consolidou como ator pivotal no Congresso, capaz de integrar coalizões de governos ideologicamente distintos. Foi assim que passou a ocupar espaços tanto no governo Lula, quanto no governo Tarcísio, em São Paulo.

Gilberto Kassab, presidente do PSD
Gilberto Kassab, presidente do PSD

A estratégia deu resultados expressivos. Em menos de 15 anos, o PSD tornou-se a maior bancada no Senado, uma das quatro maiores na Câmara, além de liderar o número de governos estaduais e prefeituras. Trata-se de um desempenho raro para um partido.

Esse sucesso, contudo, parece ter gerado nova ambição. Ao lançar simultaneamente as pré-candidaturas presidenciais de três governadoresRatinho Júnior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite — o PSD envia um sinal inequívoco de que não se contenta mais em ser coadjuvante. Quer se tornar protagonista.

A mudança de trajetória, porém, não é trivial nem isenta de riscos. Em sistemas presidencialistas multipartidários, as estratégias de protagonismo presidencial e de centralidade legislativa tendem a ser incompatíveis. Disputar a Presidência exige personalização, maior nitidez programática e a aceitação de um risco elevado de derrota.

Perder uma eleição presidencial não significa apenas ficar fora do Executivo. Para partidos acostumados a atuar como pivôs legislativos, a derrota pode gerar custos reputacionais relevantes, dificultando o retorno imediato ao centro da coalizão.

Há ainda custos financeiros e organizacionais significativos. Campanhas presidenciais consomem recursos que poderiam ser direcionados às disputas legislativas e subnacionais — justamente onde o PSD construiu sua força. Ao entrar no jogo majoritário, o partido arrisca um ganho seguro por uma aposta de retorno incerto.

O movimento do PSD, portanto, vai além de ambição eleitoral. Representa uma inflexão estratégica relevante em um sistema que depende da existência de partidos capazes de ancorar o centro e viabilizar coalizões estáveis. Se o partido conseguirá sustentar essa transição — ou se pagará um preço elevado por abandonar o papel que melhor soube desempenhar — será uma das questões centrais do próximo ciclo eleitoral.

 

 

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