Medo de escândalo do Master pode gerar trégua entre governo Lula e Congresso; veja bastidores
O início dos trabalhos legislativos nessa segunda-feira, 2, em Brasília, foi marcado por um clima cordial, com direito a sorrisos e cumprimentos efusivos do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), para ministros do governo Lula.
Nos bastidores, governistas e integrantes da oposição avaliaram, após a leitura das mensagens de Alcolumbre e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que a relação com o governo poderá ter um ‘clima zen’ em 2026, com a pauta do País. O motivo: o medo do Master deve provocar um recuo coletivo.
Isso apesar dos temas que causam desconforto entre os dois Poderes, como a votação do veto da Dosimetria, a indicação de Jorge Messias para o STF e os textos da PEC da Segurança e do PL Antifacção. Com os ambientes de Executivo e Legislativo contaminados pelo escândalo do banco Master, o embate tende a arrefecer.
O tema do banco de Daniel Vorcaro também deve dominar a reunião de líderes desta terça, 3, após o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) protocolar um requerimento para instaurar uma CPI que investigue as irregularidades do Master. Mas, no atual clima, CPI vira discurso, porque não há vontade real da maioria para investigar em ano eleitoral.
À Coluna do Estadão, o ex-governador do Distrito Federal admitiu não haver vontade política no Congresso para investigar o caso, mas disse que pediu ao líder do PSB na Câmara, Jonas Donizette (SP), que leve o assunto à reunião com Hugo Motta.
“Não há justificativa para não instalar a CPI do Master. Tem que ter pressão, esta Casa só funciona sob pressão”, disse o deputado.
Abraços e sorrisos
Davi Alcolumbre chegou ao Salão Negro do Parlamento, na tarde desta segunda, com um amplo sorriso no rosto, cumprimentando com empolgação os ministros Rui Costa, da Casa Civil, e Gleisi Hoffmann, de Relações Institucionais, além dos líderes do governo na Câmara, José Guimarães, e no Senado, Jaques Wagner.
“Quanto tempo”, dizia, sorridente, aos presentes que o esperavam no alto da rampa que dá acesso à entrada do Congresso. O presidente da Câmara, Hugo Motta, manteve postura mais comedida nos cumprimentos e se manteve sério na maior parte do tempo.
No plenário da Câmara, havia poucos parlamentares de oposição, tanto que alguns optaram por assistir à cerimônia fechados em seus gabinetes, caso do deputado Alberto Fraga (PL-DF).
Apesar do clima conciliador, Motta e Alcolumbre reforçaram, ao se dirigirem aos pares na abertura dos trabalhos do Congresso, as prerrogativas do Legislativo e defenderam a liberação de emendas por parte do governo. Esse round, porém, será enfrentado com o Supremo Tribunal Federal (STF).

