O churrasco de Lula com Motta e Alcolumbre tem um só cardápio: eleições
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu agir rapidamente e chamar logo na primeira semana de trabalhos do Congresso os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e líderes de partidos para um churrasco de confraternização. De olho não só na pauta legislativa, mas também na organização da sua campanha à reeleição.
O encontro, que será nesta quarta-feira, 4, é uma oportunidade de Lula ter uma conversa informal com deputados e senadores na retomada do Legislativo. A relação do Planalto com o Parlamento nos três primeiros anos de governo foi conflituosa, apesar de Lula ter conseguido aprovar praticamente toda a sua agenda econômica. Além disso, a gestão Lula 3 tem sido marcada por queixas de que ele não conversa mais com os congressistas, no tête-à-tête, como fazia no passado.
Diferentemente de alguns antecessores – e das próprias práticas passadas, o presidente raramente tem audiências individuais com parlamentares na agenda oficial. Prefere se reunir com o núcleo-duro para as decisões mais importantes e ter encontros reservados com Motta e Alcolumbre.
No fim de 2025, foi numa dessas reuniões que o petista pacificou a situação com Alcolumbre, no Palácio da Alvorada. Os dois alinharam uma relação que andava estremecida especialmente depois que Lula decidiu indicar Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Alcolumbre fazia campanha pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Acenos a Hugo Motta
Também no fim do ano, o presidente chamou Motta ao Planalto para visitar com ele uma maquete feita a seu pedido sobre as obras do rio São Francisco. Os dois desceram com os ministros da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, e com Gustavo Feliciano, que viria a ser o novo ministro do Turismo. Foi uma forma velada de anunciar informalmente Feliciano, indicado ao cargo justamente pelo presidente da Câmara.
Agenda eleitoral de Lula
Apesar de o governo ter encerrado 2025 com poucas pendências, sendo as duas principais as medidas provisórias do Gás do Povo e do ReData, Lula deve usar o Congresso nos próximos meses como forma de melhorar a popularidade com temas que pretende encampar nas eleições. E quer azeitar imediatamente essas tratativas com os presidentes da Câmara e do Senado, que têm o poder da caneta sobre a pauta nas duas Casas.
O primeiro tema é a regulamentação dos trabalhadores de aplicativo. O Executivo já recebeu sinalização positiva do presidente da Câmara sobre a tramitação. Motta deve se reunir com o ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, nesta semana para discutir o tema. Outro é o fim da escala 6×1. O presidente da Câmara também indicou ao governo que topa colocar a proposta para andar. Ele não deve, no entanto, levar sua tropa à rua para ajudar a aprovar o projeto.
Pouco importa para o governo, porém, aprovar ou não essas proposições. Os dois projetos, se caminharem nos próximos meses, darão ao Planalto um discurso em pleno período de campanha eleitoral. São duas iniciativas com apelo entre trabalhadores formais, afetados pela 6×1, e informais, de entrega e transporte por aplicativos. É o que basta para Lula neste momento.
No Senado, ele precisa de Alcolumbre principalmente para assegurar a aprovação de Jorge Messias para a vaga aberta no STF. A influência do presidente do Senado, no entanto, não para por aí.
Alcolumbre é quem mais tem se movimentado para que o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) seja candidato. No momento, Pacheco tem andado distante do PT e do governo. O Planalto quer que Alcolumbre trabalhe para reaproximá-lo nos próximos meses.
Lula ainda acredita que o ex-presidente do Senado pode ser seu candidato ao governo de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do País. Como mostrou a Coluna do Estadão, Lula está com o palanque vazio para a disputa ao governo de Minas Gerais em 2026. Já a direita tem um festival de candidatos ao Palácio da Liberdade.
