Ibaneis ignora escândalo do Master e elogia BRB à Câmara Legislativa do DF
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MBD), ignorou o escândalo do Banco Master e elogiou o Banco de Brasília (BRB) na mensagem enviada à Câmara Legislativa local na abertura do ano Legislativo nessa terça-feira, 3. Três dias antes, a Polícia Federal abriu um inquérito contra o banco estatal por suposta gestão temerária na tentativa de comprar o Master. O rombo com a operação pode chegar a R$ 5 bilhões, segundo o Banco Central (BC).
“O BRB reforçou seu compromisso com o desenvolvimento econômico e social do DF. No último ano, a instituição operacionalizou programas sociais que beneficiaram inúmeras famílias”, afirmou o governador aos parlamentares, em um documento assinado na manhã dessa terça-feira.
Ibaneis não foi à Câmara Legislativa e tampouco mandou um representante, o que é incomum. No ano passado, por exemplo, o texto foi lido pela vice-governadora Celina Leão (PP).
Ibaneis acrescentou que o banco “também tem contribuído com iniciativas capazes de impulsionar a economia local, fortalecer o turismo e estimular a geração de empregos”. Foram as únicas menções à companhia que está no centro do caso Master e é investigada pela PF.
Dono do Master disse à PF que já recebeu governador em sua casa
Em depoimento à PF, o banqueiro Daniel Vorcaro disse que conversou “algumas vezes” com o governador do Distrito Federal sobre a venda do Master ao BRB e citou também que o governador já esteve pessoalmente em sua casa. Ibaneis foi o primeiro político citado por Vorcaro nas investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).
Procurado, Ibaneis negou ter tratado com o empresário sobre o tema e disse que esteve apenas uma vez na casa de Vorcaro. “Estive uma vez a convite para um almoço, quando conheci ele. Entrei mudo e saí calado”, afirmou ao Estadão.
Rombo do BRB pode passar R$ 5 bilhões, diz diretor do BC
O diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou à PF que as perdas do BRB com a compra de ativos do Master podem ultrapassar os R$ 5 bilhões.
Segundo as investigações, o BRB pagou R$ 12,2 bilhões por falsas carteiras de crédito consignado vendidas pelo Master, fabricadas pela empresa Tirreno.
Após o BC ter detectado problemas nessas carteiras, houve uma substituição por outros ativos do Master. No ano passado, BRB informou que cerca de R$ 10 bilhões haviam sido recuperados.
