4 de fevereiro de 2026
Politica

Para se viabilizar, a direita vai precisar do voto da ‘extrema-direita’ no 1º turno. Como?

O movimento do presidente do PSD, Gilberto Kassab, de colocar três governadores como pré-candidatos à Presidência é a tentativa de apresentar ao eleitorado uma alternativa a quem, pelo menos da boca para fora, diz querer superar tanto o lulismo quanto o bolsonarismo. Pelas intenções gerais do eleitorado, faz sentido. Pesquisa como a Meio/Ideia divulgada hoje mostra Lula na frente, porém impopular. 51% desaprovam seu trabalho e com rejeição de 44% do eleitorado. Já 34% não pretendem votar em Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em tese, há uma avenida a ser explorada por pré-candidatos que se apresentem como moderados ou de centro-direita, papel que cabe agora aos governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, do Paraná, Ratinho Jr. e de Goiás, Ronaldo Caiado, todos no PSD. Mas seus números seguem modestos nas pesquisas com a da Meio/Ideia, não ultrapassam os 10% no primeiro turno e perdem de Lula por ampla diferença no segundo turno.

Lula e Flávio Bolsonaro representam dois grupos políticos antagônicos que dominam a política brasileira desde 2018
Lula e Flávio Bolsonaro representam dois grupos políticos antagônicos que dominam a política brasileira desde 2018

A que se deve essa dissociação do eleitor que não quer Lula, mas ainda não vota em candidatos que podem desafiá-lo sem representar o bolsonarismo? O desconhecimento é uma das respostas. São poucos os brasileiros que conhecem o trabalho de governadores de Estados que não residem – Caiado (o governador mais popular do Brasil), Ratinho e Leite são anônimos para muita gente ainda.

Existe algo maior que alavanca os que preferem Flávio Bolsonaro: o antipetismo, o sobrenome que representa os que simplesmente rejeitam o status quo. Há um enorme contingente de votantes que escolherá qualquer um que possa tirar Lula do poder e que tenha um discurso contundente e reconhecido por todos. Flávio até que tenta se passar como o equilibrado da família, mas seu sobrenome intrinsicamente belicoso garante a adesão que pode levá-lo ao segundo turno.

Há, digamos, um certo maniqueísmo na disputa que os candidatos de centro não têm conseguido anular. Se é para tirar Lula, há um Bolsonaro como opção e isso basta para quem não vai se ater a cálculos e hipóteses complexas para se obter a vitória. Mesmo Caiado, que tem sido vigoroso crítico do petismo há décadas, ainda não conquistou tanta gente. Tido como radical, hoje é sóbrio demais para uma sociedade que pede exaltação constante.

O fenômeno é de certa maneira mundial. Candidatos moderados, ao centro e à direita, têm ficado pelo caminho em países como Chile, Portugal e, por óbvio, Estados Unidos. O mundo das mensagens curtas das redes sociais parece exigir certa mobilização histérica aparentemente incompatível com o comedimento. É sintomático, inclusive, que entre os pleiteantes, os piores índices registrados pela Meio/Ideia sejam do governador Eduardo Leite, o mais centrista de todos. Num tempo político em que destruir vale mais do que construir, não é opção nem da esquerda nem da direita.

O cenário, portanto, é de empate técnico entre Lula, representante do petismo, e alguém que represente o espólio de Bolsonaro, seja Flávio ou ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, de acordo com a Meio/Ideia (o próprio bolsonarismo tem sido bem-sucedido em anular as chances do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas). É um panorama conveniente para os dois grupos políticos antagônicos que dominam a política brasileira desde 2018. A vitória será daquele que irritar menos o eleitor prudente, que sai derrotado de início – a não ser que alguém consiga saber como desmontar essa armadilha. Quem tem a fórmula?

 

 

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