5 de fevereiro de 2026
Politica

Guerra de CPIs do Master tem tentativa de desgastar governo do DF e coloca STF no alvo

BRASÍLIA – Alheios à resistência da cúpula do Congresso em avançar no tema, parlamentares governistas e de oposição travam uma batalha de bastidor para colocar de pé CPIs para apurar as operações do Banco Master, mas agendas próprias ameaçam deixar as investigações em segundo plano.

O primeiro a querer mexer no vespeiro foi o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), ex-governador do Distrito Federal e adversário do atual ocupante do cargo, Ibaneis Rocha (MDB). Em novembro do ano passado, ele passou a coletar assinaturas para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara – o pedido foi formalizado na última segunda-feira, 2.

Em ano eleitoral, Congresso tem guerra de CPIs do Master
Em ano eleitoral, Congresso tem guerra de CPIs do Master

De acordo com o texto protocolado, o objetivo é investigar as fraudes financeiras ocorridas na relação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), que tem como acionista majoritário o governo do Distrito Federal.

Paralelamente a esse esforço, o deputado bolsonarista Carlos Jordy (PL-RJ) começou a recolher, em dezembro, assinaturas para pedir a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, formada também por senadores. O propósito do colegiado seria apurar indícios de fraudes, irregularidades administrativas e prejuízos bilionários associados ao Master. O pedido foi protocolado na terça-feira, 3.

Pelo cenário atual, as chances de qualquer uma delas prosperarem são baixas. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já disse que a CPI do Master vai entrar na fila, enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que também preside o Congresso, não esboçou tentativa de marcar uma data para leitura do requerimento de Jordy.

Enquanto isso, os parlamentares defendem suas próprias iniciativas, influenciadas pelo fator ano eleitoral. Uma CPI para apurar a operação fracassada de compra do Master pelo BRB respingaria no governo Ibaneis Rocha – que, em março do ano passado, chamou de “dia de festa” a aquisição, que foi frustrada em setembro pelo Banco Central.

No caso dos bolsonaristas, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e Alexandre de Moraes são dois dos principais alvos, em meio a notícias que podem representar conflito de interesses na atuação de ambos.

Rollemberg admite haver resistência dentro da Câmara para instalar a CPI, mas avalia que a revelação de novos fatos e a pressão popular podem contornar esse entrave. “A única CPI que tem viabilidade de ser instalada é a da Câmara dos Deputados, porque já existe um requerimento protocolado, assinado por parlamentares de vários partidos, governo e oposição”, argumenta.

Ele critica a tentativa de instalar a CPMI e lembra que, para que isso ocorra, é preciso marcar uma sessão do Congresso Nacional. “E não há previsão de realização de sessão conjunta do Congresso Nacional nas próximas semanas. Portanto, se o desejo de investigar for sincero de parte dos líderes da oposição, eles devem atuar junto ao presidente Hugo Motta para instalar a CPI do Banco Master”, afirma.

Na avaliação do parlamentar, que integra a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a CPI que propôs tem objeto mais definido, por focar a operação de compra do Master pelo BRB.

“No caso do pedido de CPMI, tem um objetivo de retaliação ao Supremo Tribunal Federal”, diz. “Ou seja, o que eu quero investigar é o escândalo do Banco Master, que envolve o BRB e envolve todas as relações políticas construídas ao longo do tempo pelo Banco Master. E não uma questão específica de uma retaliação ao Poder específico.”

Já Jordy rebate as afirmações e diz que a CPI de Rollemberg é “impossível de ser instalada”. “Ele fez essa CPI somente porque é adversário do Ibaneis, então para ter palanque para bater no Ibaneis”, diz. “Mas ele sabe que não vai ser instalada, porque CPI individualmente, em cada Casa, depende da autorização do presidente da Casa. Existem 15 outros pedidos feitos anteriormente que são foram protocolados e que não foram ainda lidos.”

O bolsonarista, que chama a tentativa do parlamentar de “para inglês ver”, nega que a intenção da CPMI seja retaliar o STF. “Pelo contrário, nós queremos investigar todos. Ninguém está acima da lei. Não queremos investigar ministros, são pessoas ligadas a ministros que podem ser investigadas pela CPMI”, ressalta.

“A única chance de ter o colegiado é a CPMI proposta por mim”, complementa. “Nosso objetivo é investigar todos que tenham relação com a fraude do Banco Master.”

 

 

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