5 de fevereiro de 2026
Salvador

Lavagem de Itapuã celebra 121 anos aliando tradição, fé, alegria e povo na rua

Foto: Jefferson Peixoto / Secom PMS
Reportagem: Ana Virgínia Vilalva e Eduardo Santos / Secom PMS

O samba será este ano o grande homenageado da maior festa de rua do planeta. E antecipando o Carnaval de Salvador, a Lavagem de Itapuã, que celebra 121 anos de existência, também trouxe nesta quinta-feira (5) o ritmo como tema do folguedo pré-carnavalesco.

Nascida como celebração da lavagem das escadarias da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã, a festa ganhou corpo com a participação popular, e hoje, junto com a festa de Iemanjá, é reconhecida como um dos marcos da união entre o sagrado e o profano nas grandes celebrações de rua da capital baiana.

Sob o lema “Tudo Isso Acontece em Itapuã”, a festa une tradição, fé, identidade cultural e manifestações diversas das comunidades ancestrais da cidade. Antes do desfile, a Lavagem teve início com a concentração, à meia-noite do dia anterior, e saída do Bando Anunciador, por volta das 2h. 

Evento tradicional do início da festa, a Lavagem Nativa ocorreu às 5h, seguida da alvorada de fogos. Às 7h, o desfile do grupo Mulheres que Incentivam aconteceu no contrafluxo da festa, abrindo as alas para o cortejo das baianas do Coqueiral de Piatã e dos demais grupos culturais que preenchem a manifestação. 

Presidente do Santuário Zé Pelintra Salvador, o babalorixá Pai Wellington Luís é um dos foliões mais antigos e animados da Escola de Samba Unidos de Itapuã que, ao lado de blocos, charangas e cordões temáticos, fizeram a alegria de milhares de pessoas que participaram da celebração nesta quinta.

“Partindo da escolha do samba como grande homenageado do Carnaval deste ano, trouxemos também para a Lavagem de Itapuã esta homenagem. E é um grande prazer poder representar o Santuário de Zé Pelintra, que também é do samba, do suingue do Carnaval. A festa aqui é tradição, povo na rua, e é de grande importância ir à rua nestes tempos de intolerância religiosa, para marcar nossa presença como força e resistência”, destaca Pai Wellington.

Um dos homenageados na edição deste ano, o aposentado Ulisses dos Santos, de 84 anos, conta que participa da festa desde que nasceu. “A Lavagem de Itapuã é um grande sentimento que guardo comigo. Eu vivi o melhor dessa festa, algo que já se perdeu no tempo. Antes, fazíamos a festa por conta própria, com nossos recursos, e hoje aquele sabor se perdeu um pouco. Mas ainda temos a resistência de fazer e viver essa festa, com uma associação forte que não deixa essa festa morrer”, afirma.

Coordenador do Departamento de Dança do bloco afro Malê Debalê, Agnaldo Fonseca fala da importância da festa para a comunidade e seus grupos culturais: “São 121 anos de manifestação popular, realizada pela comunidade, as ganhadeiras, ambulantes e demais agentes que impulsionam a economia do bairro”. 

“Em 2026, o Malê completa 47 anos, todos inseridos neste século de lavagem, como representação desse legado cultural, construindo pertencimento territorial e fortalecendo o legado afro-brasileiro, que se manifesta através da dança do Malê, considerado o maior balé afro do mundo”, completa o gestor. 

Duzentos bailarinos do bloco afro foram às ruas de Itapuã nesta quinta, antecipando um recorte do tema do grupo para o Carnaval: Malê na corte de Oxalá. A previsão é de que 600 dançarinos do Malê Debalê desfilem pelas ruas de Salvador durante a folia momesca.

Acesse a galeria de fotos: https://comunicacao.salvador.ba.gov.br/baianos-e-turistas-celebram-a-lavagem-de-itapua/ . 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *