6 de fevereiro de 2026
Politica

Fim dos penduricalhos é estratégia para tirar Supremo da berlinda

Juiz de formação, o ministro do Supremo Federal, Flávio Dino, é um político com trajetória bem-sucedida. Em sua longa carreira, já foi eleito deputado, governador e senador, antes de ser nomeado ministro da Justiça. Quem precisa de voto sabe algo sobre como a opinião pública funciona e Dino precisou muitas vezes.

Neste sentido, ao determinar o fim dos chamados penduricalhos no serviço público, o ministro, além de se mostrar como oponente de privilégios despropositados, finalmente traz uma boa-notícia para o Supremo, que havia se transformado numa espécie de usina de escândalos, desde o triunfalismo que resultou na prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de estado, em setembro do ano passado.

O ministro Flávio Dino determinou suspendeu de penduricalhos salariais
O ministro Flávio Dino determinou suspendeu de penduricalhos salariais

Após a ruína de Bolsonaro, os ministros do Supremo, por um curto período, se tornaram os paladinos da nação (fora os admiradores do ex-presidente e um ou outro que apontava certos atropelos jurídicos no processo). Mas quase tudo se perdeu, a partir de novembro de 2025, no ainda sem final à vista escândalo do Banco Master.

Tráfico de influência, contratos milionários, suposto uso de parentes como laranja, em uma série de abusos envolvendo ministros e ex-ministros da corte. O Supremo, de súbito, virou a Geni da sociedade, não só dos bolsonaristas, o que deve ter sido bastante desagradável para quem tinha uma imagem tão alta de si próprio.

Tem aparecido, aqui e ali, ainda nas catacumbas das redes, gente que critica a forma como Flávio Dino tentou enterrar as regalias de altos funcionários públicos (logo virão à luz, procuram o momento adequado para não perder seus milhões).

O ministro teria utilizado um instrumento equivocado para tratar do problema, teria exercido certo populismo jurídico e por aí vai, são os argumentos. Mas, na verdade, o alvo de Dino, a opinião pública, acertou bem ao centro. Anunciou algo que desesperadamente todos, fora os usufruidores, esperavam com ansiedade.

O ministro deixou, para complementar a jogada, o Congresso na berlinda. Deputados e senadores, como se sabe, resolveram estender com penduricalhos seus mais graduados funcionários em momento em que a nação estava atenta.

Difícil imaginar que não tinham consciência da enorme irritação que tais benesses milionárias tem causado na sociedade. Algumas delas, surrealistas, para dizer o mínimo, como o tal auxílio-Peru. Também postergavam a tramitação de uma reforma administrativa para tratar do tema. A enorme pressão corporativa dos funcionários públicos turvou a visão de suas excelências?

Logo, os parlamentares cometeram um erro político de enorme dimensão e Dino, também um político oportunista, aproveitou para acertar e, de quebra, tentar tirar a instituição que agora representa, o STF, da lama. Foi o vencedor da semana.

 

 

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