7 de fevereiro de 2026
Politica

Espionagem na prefeitura do Recife: advogado fala em ‘investigação ilegal’ que remete à ditadura

O advogado Eduardo Trindade, que defende o secretário de articulação política do prefeito do Recife, João Campos (PSB), monitorado pela Polícia Civil, criticou os métodos “invasivos” de investigação e afirmou que o modus operandi da Polícia lembra os tempos da ditadura militar:

“Em 30 anos de atividade como advogado, nunca me deparei com uma investigação dessas. Não é uma investigação sigilosa, é uma investigação clandestina, isso era coisa da época da ditadura”, criticou o advogado à Coluna do Estadão.

Os alvos da suposta espionagem são o secretário de Articulação Política e Social da prefeitura, Gustavo Monteiro, e seu irmão, Eduardo Monteiro. Eles foram monitorados por três meses, de agosto a outubro do ano passado, inclusive com o uso de um rastreador em um carro funcional utilizado pelo secretário.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou a Polícia Federal (PF) investigar o caso.

O caso de espionagem aquece ainda mais a campanha eleitoral de outubro, na qual a atual governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), e o prefeito do Recife devem se enfrentar na disputa pelo governo do Estado.

Polícia Civil de Pernambuco entra em contradição

Segundo a Polícia Civil, as denúncias tratam de recebimento de propina envolvendo justamente um carro da prefeitura usado pelo secretário de João Campos. Mas a investigação não tinha registro, e a polícia entrou em contradição.

Em nova nota divulgada nesta sexta-feira, 6, a corporação afirmou ser “incorreta” a informação de que a Polícia admitiu ter realizado monitoramento indevido a aliados do prefeito. Procurada, a governadora Raquel Lyra, chefe da Polícia Civil, reforçou a nota da corporação.

Já na nota divulgada na quinta-feira, 5, o chefe da Polícia Civil de Pernambuco, Felipe Monteiro Costa, admitiu que a investigação foi feita sem o registro de um boletim de ocorrência, sem número de protocolo ou registro oficial da denúncia. Teria sido realizada a partir de uma denúncia anônima recebida em um envelope.

Raquel Lyra diz que caso não deve virar ‘palco eleitoreiro’

A governadora chegou a se pronunciar sobre o caso em um vídeo no Instagram na semana passada. Ela afirmou que não se deve transformar “tema técnico em palco eleitoreiro”.

“A Polícia Civil de Pernambuco é uma instituição de Estado, com autonomia e responsabilidade funcional. Ela não pertence a governos, não serve a interesses políticos, e jamais será instrumento de ninguém”, disse.

João Campos e Raquel Lyra, prováveis adversários na disputa de 2026 em Pernambuco
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