10 de fevereiro de 2026
Politica

Hugo Motta enterra possibilidade de CPI do Master na Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), enterrou a possibilidade de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue o Banco Master na Casa. Ele disse nesta segunda-feira, 9, que seguirá a ordem cronológica dos 16 pedidos que aguardam apreciação na Câmara. Na prática, isso inviabilizaria a abertura da CPI do Master protocolada pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) na semana passada.

“A Câmara tem seu regimento, temos 16 CPIs protocoladas; temos que obedecer a ordem cronológica para poder decidir sobre instalação ou não dessas comissões parlamentares de inquérito”, afirmou Motta, lembrando que, em 2025, ele decidiu “não instalar nenhuma”.

O Placar da CPI do Master – levantamento feito pelo Estadão para identificar como cada parlamentar se posiciona em relação ao assunto – aponta que, dos 513 deputados, 304 (59%) apoiam a abertura de uma CPI do Master, seja mista (formada por deputados e senadores) ou não. Um deputado é contrário, quatro não quiseram responder e o restante não se manifestou.

O critério para apreciar requerimentos de aberturas de CPIs é político, o que significa que, a depender do clima no Parlamento, Motta pode mudar de ideia. Hoje, no entanto, a fala do presidente da Câmara reflete o humor dos deputados, que se sentem pressionados para demonstrar apoio, mas temem a instalação da CPI em ano eleitoral.

Presidente da Câmara, Hugo Motta na prática enterra possibilidade de abertura de CPI do Banco Master
Presidente da Câmara, Hugo Motta na prática enterra possibilidade de abertura de CPI do Banco Master

Paralelamente ao pedido de CPI na Câmara, o deputado bolsonarista Carlos Jordy (PL-RJ) protocolou no dia seguinte um requerimento de abertura de uma CPI mista. Esse pedido ganhou o apoio de 238 deputados e 42 senadores, majoritariamente da oposição.

Crack, demarcação de terra indígena e crime organizado são alguns pedidos na fila

Entre os 16 pedidos que aguardam na fila estão requerimentos feitos desde agosto de 2023, como o que pede a apuração de casos de irregularidades de empresas de vendas de passagens aéreas promocionais; um requerimento de março de 2024, que solicita a investigação de denúncias de exploração sexual infantil na Ilha do Marajó, no Pará, e um pedido de maio de 2025, para investigar crimes digitais contra pessoas vulneráveis. O pedido de Rollemberg, protocolado no dia 2 de fevereiro, é o único feito este ano, e o última da fila.

Há ainda pedidos de instalação de CPI para investigar o aumento do uso de crack no Brasil, denúncias de estupro contra mulheres no país, sindicatos envolvidos em fraudes do INSS, entre outros.

 

 

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