Hugo Motta enterra possibilidade de CPI do Master na Câmara dos Deputados
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), enterrou a possibilidade de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue o Banco Master na Casa. Ele disse nesta segunda-feira, 9, que seguirá a ordem cronológica dos 16 pedidos que aguardam apreciação na Câmara. Na prática, isso inviabilizaria a abertura da CPI do Master protocolada pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) na semana passada.
“A Câmara tem seu regimento, temos 16 CPIs protocoladas; temos que obedecer a ordem cronológica para poder decidir sobre instalação ou não dessas comissões parlamentares de inquérito”, afirmou Motta, lembrando que, em 2025, ele decidiu “não instalar nenhuma”.
O Placar da CPI do Master – levantamento feito pelo Estadão para identificar como cada parlamentar se posiciona em relação ao assunto – aponta que, dos 513 deputados, 304 (59%) apoiam a abertura de uma CPI do Master, seja mista (formada por deputados e senadores) ou não. Um deputado é contrário, quatro não quiseram responder e o restante não se manifestou.
O critério para apreciar requerimentos de aberturas de CPIs é político, o que significa que, a depender do clima no Parlamento, Motta pode mudar de ideia. Hoje, no entanto, a fala do presidente da Câmara reflete o humor dos deputados, que se sentem pressionados para demonstrar apoio, mas temem a instalação da CPI em ano eleitoral.

Paralelamente ao pedido de CPI na Câmara, o deputado bolsonarista Carlos Jordy (PL-RJ) protocolou no dia seguinte um requerimento de abertura de uma CPI mista. Esse pedido ganhou o apoio de 238 deputados e 42 senadores, majoritariamente da oposição.
Crack, demarcação de terra indígena e crime organizado são alguns pedidos na fila
Entre os 16 pedidos que aguardam na fila estão requerimentos feitos desde agosto de 2023, como o que pede a apuração de casos de irregularidades de empresas de vendas de passagens aéreas promocionais; um requerimento de março de 2024, que solicita a investigação de denúncias de exploração sexual infantil na Ilha do Marajó, no Pará, e um pedido de maio de 2025, para investigar crimes digitais contra pessoas vulneráveis. O pedido de Rollemberg, protocolado no dia 2 de fevereiro, é o único feito este ano, e o última da fila.
Há ainda pedidos de instalação de CPI para investigar o aumento do uso de crack no Brasil, denúncias de estupro contra mulheres no país, sindicatos envolvidos em fraudes do INSS, entre outros.
