Placar do Estadão: Veja quem são os parlamentares contrários à CPI do Master
BRASÍLIA – O Placar do Estadão mostrou que a maioria dos integrantes da Câmara e do Senado é a favor da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a crise do Banco Master. Apenas dois congressistas se manifestaram contrários à proposta: o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o deputado federal Prof. Reginaldo Veras (PV-DF). Dois governistas, eles afirmam ser descrentes da eficácia de investigações pelo Legislativo.
No Distrito Federal, Veras faz parte da oposição ao governador Ibaneis Rocha (MDB) e manifestou em diferentes oportunidades contrariedade à compra da instituição financeira pelo Banco de Brasília (BRB). Já Weverton manteve o silêncio sobre o caso Master, enquanto lida com problemas de outra CPI no Congresso.

Na mira da CPI do INSS, Weverton é pressionado por parlamentares a explicar envolvimento na fraude de descontos associativos ilegais de aposentados. Segundo a Polícia Federal, ele é “sócio oculto” do esquema e recebeu, por meio de intermediários, recursos amealhados pela organização criminosa.
A PF aponta que Weverton é o operador político do esquema e usava seu ex-assessor Gustavo Gaspar e o agora ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência Social Adroaldo Portal para receber em seu nome valores oriundos de ilícitos.
Ele já foi alvo de operação de busca e apreensão da PF. A polícia chegou a pedir sua prisão preventiva, mas o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do processo, negou. O magistrado alegou que prender um parlamentar é uma decisão que tem “efeitos drásticos” e “exige cautela”.
Weverton é líder do PDT no Senado e vice-líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso.
O relator da CPI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), já pediu, desde o ano passado, a convocação do senador para que ele possa prestar esclarecimentos à comissão. Até o momento, esse pedido não avançou por blindagem do governo.
O Estadão ainda revelou, em janeiro, que a PF identificou diálogos sobre a entrega de dinheiro vivo a um ex-assessor do senador no telefone do empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS. O Careca é suspeito de liderar o esquema de desvios de recursos em aposentadorias.
O senador nega as acusações, classificando as acusações da PF como “descabidas”.
Sobre a comissão para investigar o Master, Weverton disse ao Estadão ser contra “qualquer tipo de CPI”. “Sou contra qualquer tipo de CPI, principalmente em ano eleitoral e quando o assunto já está sendo investigado pelas autoridades policiais ou do Ministério Público”, afirmou o senador.
Oposicionistas da CPI do INSS criticam a posição. “O senador não assina nenhum tipo de CPI porque a última que foi instalada acabou investigando ele e descobrindo que ele foi o elo político de um dos maiores escândalos de corrupção do País”, afirmou Kim Kataguiri (União-SP). “Ele é contra principalmente em ano eleitoral, porque quanto mais investigações avançarem contra ele, e ele estiver devendo, pior para a reeleição dele.”
O Prof. Reginaldo Veras, por sua vez, disse não acreditar no modelo de CPI. Diferentemente de Weverton, ele é um crítico da operação de compra do Master pelo BRB – a transação foi barrada pelo Banco Central.
“Eu não assino nem participo de CPIs, pois viraram um instrumento que pouco investiga e muito serve para gerar pirotecnia e cortezinho para rede social. Historicamente, nenhuma CPI entregou algo realmente concreto, nem no Distrito Federal nem no Congresso Nacional. Não é à toa que o ditado ‘vai dar em pizza’ se popularizou”, afirmou Veras.
Para ele, a Polícia Federal e o Banco Central já fazem investigação “séria, independente e avançada” no caso. “De forma bem objetiva: quem tem capacidade real de investigar? A PF e o Banco Central ou deputados fazendo cena? Sou coerente e não participo daquilo que não acredito”, acrescentou.
O deputado já foi ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedir o afastamento de Ibaneis. “Não é disputa política. É responsabilidade diante de suspeitas graves envolvendo o governador. Ibaneis nega. Mas o dono do Banco Master afirma que tratou do negócio com ele. Quando a verdade vira contradição, o cargo não pode virar escudo. O povo do DF merece respostas”, disse o parlamentar.
Apesar disso, os dois assinaram, nesta legislatura, requerimentos pedindo criação de CPIs. Weverton apoiou quatro: em 2025, as do crime organizado e da adultização; e, em 2024, as da manipulação de resultados e das bets. Veras assinou três: a dos crimes cometidos contra menores na internet, em 2025, dos planos de saúde, em 2024, e da exploração sexual infantil, em 2023.
O Placar do Estadão mostrou ainda que, na Câmara, dos 513 deputados, 304 se dizem a favor da instalação de uma CPI para apurar crimes e fraudes cometidos por operadores do Banco Master. Outros quatro não quiseram se manifestar e 204 não responderam.
Entre os 81 senadores, 56 defendem a criação da CPI. Dois não quiseram se posicionar. Outros 22 não responderam.
