Se Lula for ‘paz e amor’ não vencerá a eleição
Em quase todas as guerras, nas invasões dos exércitos, o país algoz costuma alegar que estava apenas a se defender de um inimigo prestes a agredi-lo. O caso mais recente é o da Rússia contra a Ucrânia. Podemos também falar da invasão do Iraque pelos Estados Unidos, apenas para nos atermos a exemplos deste milênio. Na política é a mesma coisa, a hostilidade é justificada como arma de defesa.
No aniversário de 46 anos do Partido dos Trabalhadores ocorrido no último sábado, em Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu a ordem de ataque político aos oponentes com as seguintes palavras: “Alguém fez uma notícia contra o governo, ‘ah, eu deletei’. Deletou não. Você tem que mandar o cara que fez aquela notícia para aquele lugar”.
É o fim do “Lulinha paz e amor”, conforme as palavras do próprio, como se tal personagem cordeiro de fato tivesse existido, fora ser um personagem útil em alguns momentos de sua longa trajetória. Ninguém “paz e amor” seria eleito três vezes presidente da República em um país como o Brasil e ainda ser o favorito para o próximo pleito.

No mesmo discurso, Lula condenou as redes sociais. “Não sei por que se chama social essa porra (sic). É uma rede que tem mais do mal do que do bem, que tem mais mentira do que verdade”, disse, no palanque, antes de chamar a atenção das pessoas na plateia que estavam de olho no celular. Ironizou sua tropa, lembrando-os de que o único ali que poderia receber ligações importantes, de gente como Donald Trump, Vladimir Putin ou Xi Jinping, seria o próprio. Podemos apenas especular: se as redes fossem dominadas pelo discurso da esquerda, haveria toda essa aversão?
O objetivo declarado de Lula seria repor a verdade contra a fábrica de mentiras do adversário em local onde a direita vence a esquerda, as famigeradas redes. “Nós temos que ser mais desaforados. Porque eles são desaforados e nós não podemos ficar quietinhos. Não tem essa mais de ‘Lulinha paz e amor’. Essa eleição vai ser uma guerra e nós temos de estar preparados para ela. É muita mentira 24 horas por dia”, declarou o presidente da República.
O que seria “mentira” na mitologia petista? Se você percebe no contexto do discurso, mentira significaria o seguinte: falar mal do governo. Verdade, por contraposição, seria elogiar e louvar as ações de Lula e do governo. Com essa lógica, tudo indica que teremos uma campanha eleitoral bastante violenta do ponto de vista retórico, porque o lado bolsonarista, como sabemos, vive num mundo invertido ao petismo com relação às noções de verdade e mentira. A guerra está só no começo e o agressor será sempre o outro.
