10 de fevereiro de 2026
Politica

Banco regional, BRB abriu 88 unidades em 7 Estados e impôs sigilo em gastos; PF apura caso Master

Alvo da Polícia Federal (PF) por suposta gestão temerária na tentativa de comprar o Banco Master, o Banco de Brasília (BRB) mudou sua política de investimentos sob o governador Ibaneis Rocha (MDB) e passou a assumir gastos questionáveis em relação ao escopo do banco estatal, antes focado na folha de pagamento do funcionalismo público local. Apesar de ser um banco regional, desde 2020 o BRB abriu 88 unidades em sete Estados.

Essas unidades são agências, postos de atendimento e unidades de relacionamento, para dar conta da gestão de contracheques dos três Poderes em Estados e municípios, além de parcerias institucionais.

O banco impôs sigilo aos gastos com esses escritórios. Alegou que as despesas são “informações de natureza estratégica, comercial e concorrencial, cuja divulgação poderia comprometer a competitividade da instituição no mercado financeiro”.

Procurada, a empresa não respondeu. Por meio da Lei de Acesso à Informação, o banco afirmou à Coluna do Estadão que os projetos buscam “fortalecer a presença do banco em diferentes regiões do País”, e que a companhia observa “critérios de viabilidade econômico-financeira e sustentabilidade das operações”.

O governo do Distrito Federal afirmou que “o BRB tem solidez e irá vender seus ativos para regularizar a liquidez. E, para além disso, o GDF estará atuando também com medidas para ajustar a questão do capital do banco”.

Especialistas ouvidos pelo Estadão apontam que o BRB será obrigado a diminuir de tamanho ou receber um aporte maior do governo do Distrito Federal, que enfrenta dificuldades no Orçamento, para superar as perdas com o caso Master.

Como mostrou a Coluna, o banco estatal aumentou em 14 vezes o gasto com eventos e outros apoios comerciais durante a gestão Ibaneis. Em 2025, reservou R$ 125,8 milhões de gastos para esta rubrica. No ano passado, o BRB bancou de congresso de procuradores a show do cantor Roberto Carlos na Paraíba.

Entre 2020 e 2025, o BRB abriu unidades fora do Distrito Federal para prestar serviços de folha de pagamento a dois tribunais, um governo estadual, quatro prefeituras e uma Câmara municipal. Uma das prefeituras é de João Pessoa, que fica a 2,2 mil quilômetros da capital federal. Veja a lista:

Serviços de folha salarial do Banco de Brasília fora de Brasília

  • Tribunal de Justiça da Paraíba;
  • Tribunal de Justiça de Alagoas;
  • Governo do Tocantins;
  • Prefeitura de João Pessoa;
  • Câmara Municipal de João Pessoa;
  • Prefeitura de Maceió;
  • Prefeitura de Porto Nacional (TO);
  • Prefeitura de Conde (PB).
Banco de Brasília (BRB), investigado pela Polícia Federal no caso Master
Banco de Brasília (BRB), investigado pela Polícia Federal no caso Master

Além da folha de pagamento, o banco estatal presta serviços de depósitos judiciais aos tribunais estaduais de Maranhão, Bahia e Paraíba. O Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região, no Paraná, tem um “convênio institucional” com o BRB.

O BRB informou ainda ter uma “parceria institucional” que não foi detalhada. Em 2020, o banco abriu duas unidades no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Possivelmente, o investimento tem relação com o patrocínio de R$ 32 milhões anuais da empresa ao clube carioca, iniciado no mesmo ano e em vigor até agora.

Rombo do BRB pode passar R$ 5 bilhões, diz diretor do BC

O diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou à PF que as perdas do BRB com a compra de ativos do Master podem ultrapassar os R$ 5 bilhões.

Segundo as investigações, o BRB pagou R$ 12,2 bilhões por falsas carteiras de crédito consignado vendidas pelo Master, fabricadas pela empresa Tirreno.

Após o BC ter detectado problemas nessas carteiras, houve uma substituição por outros ativos do Master. No ano passado, BRB informou que cerca de R$ 10 bilhões haviam sido recuperados.

Além de rombo no BRB, governo do DF enfrenta falta de dinheiro em caixa

Em 2025, o governo do Distrito Federal registrou um déficit de R$ 926,5 milhões nas contas, como informou o Estadão. O resultado mostra que o Executivo gastou mais do que arrecadou e piorou as contas em relação a 2024, quando o déficit foi de R$ 644,7 milhões.

Em 2026, último ano do mandato do governador Ibaneis Rocha, o orçamento está sob pressão devido a despesas que não foram quitadas no ano passado e que disputarão espaço com os gastos deste ano.

A gestão distrital herdou R$ 1,7 bilhão em recursos empenhados em anos anteriores que não foram liquidados — ou seja, que não tiveram o serviço executado — e que precisarão ser cumpridos ou cancelados.

 

 

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