10 de fevereiro de 2026
Entretenimento

Davidson Pelo Mundo: Carnaval em movimento, entre viagens e folias de casa

Enquanto o Brasil se prepara para mais um Carnaval, a maior festa popular do país, um fenômeno chama atenção além das marchinhas e blocos de rua: o equilíbrio entre turismo e permanência local. A cada ano, milhões de brasileiros enfrentam a velha pergunta: vale a pena pegar a estrada para celebrar ou é melhor ficar na própria cidade e aproveitar a folia por perto?

 

Os números oficiais já sinalizam o peso do Carnaval na economia do setor. Segundo projeções do Ministério do Turismo, mais de 53 milhões de foliões devem invadir ruas e avenidas por todo o país durante o período, um crescimento de cerca de 8% em relação ao ano anterior. Essa movimentação também se reflete no turismo organizado e nas viagens, com mais de 6,6 milhões de passageiros viajando pelo país usando meios como avião e ônibus apenas no feriado carnavalesco, um aumento de 9% em relação ao Carnaval anterior.

 

Além do fluxo interno, o Brasil também atrai visitantes de fora. A Embratur estimou que aproximadamente 286 mil turistas estrangeiros escolheram o país para curtir o Carnaval de 2025, com destaque para argentinos, americanos e chilenos, e destinos como Rio de Janeiro e Florianópolis no topo da preferência.

 

QUEM VIAJA E QUEM FICA?
Mas nem todo mundo pega mala e passa pelos bloqueios do trânsito rumo à praia ou aos circuitos mais famosos. Uma pesquisa recente com participantes de um levantamento nacional apontou que 70% dos brasileiros preferem ficar em casa ou curtir o Carnaval local, seja acompanhando blocos de rua, festas comunitárias ou encontros familiares.

 

Essa preferência por permanecer na própria cidade ou região mais próxima, mesmo entre aqueles que gostam da folia, reflete uma mudança no perfil dos foliões. Há uma busca clara por experiências menos custosas, com logística simplificada e mais centradas no ambiente social imediato, sem a pressão e os custos de viagens longas.

 

Para quem decide viajar, o feriado ainda é um atrativo forte. As praias lideram como destino de escolha, com 48% dos viajantes optando pelo litoral, enquanto cidades grandes, campo ou cruzeiros completam o leque de opções.

 

O efeito econômico da movimentação turística durante o Carnaval é enorme. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimou que o feriado deve movimentar mais de R$ 12 bilhões apenas no setor turístico, um dos maiores valores da série histórica.

 

Mas essa massa de foliões também testa a logística urbana. Hotéis e pousadas registram ocupações altíssimas nas principais cidades-sede da festa, enquanto serviços de transporte adaptam suas operações, com voos extras e horários estendidos para atender à demanda.

 

O Carnaval brasileiro vive hoje sua face dual:
• Turismo em plena expansão, com milhões de deslocamentos interestaduais e internacionais motivados pela festa;
• Uma maioria silenciosa de foliões locais, que opta por curtir a festa onde vive, valorizando circuitos de bairro, celebrações gratuitas e encontros com amigos e família.

 

Esse jogo entre viajar e ficar reflete mais do que preferências pessoais: é uma fotografia da economia, da mobilidade social e da própria relação do brasileiro com sua festa mais emblemática. Entre aviões, blocos de rua e churrascos no quintal, o Carnaval segue sendo um roteiro múltiplo, feito tanto por quem chega quanto por quem simplesmente abre a janela e deixa as marchinhas entrarem pela sala.

 

Boa viagem e bom Carnaval!

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