12 de fevereiro de 2026
Politica

A candidatura de Flávio começa a avançar em setores refratários ao clã Bolsonaro 

A fotografia do momento – do momento – sugere que a eleição presidencial de 2026 repete a de 2022 com sinal trocado. Na reta final naquela ocasião era pervasiva a atmosfera do “qualquer coisa menos a continuação do que está aí”. A mesma atmosfera está se consolidando agora.

A fotografia do momento – do momento – sugere que os R$ 90 bilhões para gastar e, até os programas sociais de cunho eleitoreiro não estão trazendo para Lula os resultados esperados. E o principal culpado disso é… ele mesmo. Tornou-se, numa apreciação subjetiva, um personagem enfadonho.

Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, começa a ganhar apoio fora de alas refratárias ao bolsonarismo
Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, começa a ganhar apoio fora de alas refratárias ao bolsonarismo

Não é fenômeno recente, mas se agrava por conta da centralidade de segurança pública e corrupção na cabeça do público eleitor. De novo, não importam os fatos (quanto de fato Lula e o PT estão enrolados ou não em qual escândalo), mas, sim, a percepção deles. É difícil alterar isso através de marketing político.

Do outro lado essa mesma atmosfera do “vamos tirar essa turma do poder” ajuda a entender como setores produtivos e agentes econômicos passaram a entender a candidatura de Flávio Bolsonaro. E a concomitante ausência, até aqui, de nomes competitivos no campo da centro-direita para derrotar Flávio no primeiro turno e repetir a “fórmula chilena” (a direita unida no segundo turno contra o candidato do governo).

Há um fenômeno irônico no campo direitista quando se fala o nome Bolsonaro. Sua popularidade é incontestável em largas faixas do eleitorado. Mas essa mesma aura dissipou-se há longo tempo nas elites do agro, da indústria e até mesmo dos serviços, incluindo os setores de mercados de capitais que são dos principais consumidores (e propagadores) do noticiário político.

Nesses segmentos, que têm pouco voto mas considerável influência, o clã Bolsonaro é visto como fiscalmente irresponsável, imprevisível do ponto de vista institucional, sem rumo e estratégia − heranças que se consolidaram a partir da segunda metade do governo de Jair. E não se manifestam muitas vozes com pena dele, embora nesses mesmos setores seja arraigada o descrédito frente ao STF.

O que acontece neste momento – neste momento − é a quinta fase do luto, a da aceitação. No vocabulário da psicologia, é quando a pessoa finalmente aceita a perda (no caso, Tarcísio não vem) e passa a encarar o “ciclo natural” da política. Se não tem esse, vamos com quem e quais suas chances reais?

Neste momento – neste momento – Flávio está descendo pela garganta de vários setores nos quais a simples menção do nome Bolsonaro vinha causando arrepios de insatisfação. É um processo ainda inicial, mas ganhando tração. Chama-se na gíria política deglutir um batráquio.

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *