11 de fevereiro de 2026
Politica

As boas e más notícias para Lula na pesquisa Genial/Quaest e a grande dúvida para os próximos meses

A pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira, 11, trouxe sabor agridoce para os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se de um lado a relativa estabilidade nos números é positiva para quem está na frente e alguns elementos tragam perspectiva de melhora, há também motivos para preocupação e lamento quando se olha os meandros dos números.

Quando se olha para o copo meio vazio, mais que a oscilação negativa de dois pontos percentuais na aprovação geral, chama atenção o resultado ruim entre os que se consideram independentes (nem esquerda, nem direita, nem lulista, nem bolsonarista). É um grupo de 32% do eleitorado e que estará em disputa em um País polarizado e, hoje, reprova fortemente o governo (52% contra 37%).

Também chamam atenção, pelo lado negativo, a queda da aprovação no Nordeste e entre os mais pobres, exatamente o eleitorado mais fiel a Lula. E o fato de a maioria do brasileiro continuar vendo o País na direção errada, defendendo que Lula não deveria continuar como presidente e sem enxergar melhora alguma no campo econômico.

Também nos números da disputa eleitoral propriamente dita, a distância para Flávio Bolsonaro caiu pela metade desde dezembro (de dez para cinco pontos) e os dois já estão quase empatados na margem de erro.

Lula tem motivos para se animar ou se preocupar dependendo de como olhar a pesquisa Genial/Quaest
Lula tem motivos para se animar ou se preocupar dependendo de como olhar a pesquisa Genial/Quaest

Do lado do copo meio cheio, aliados podem comemorar o fato de que o principal calcanhar de aquiles do governo e da esquerda em geral, a questão da segurança, tem perdido importância mês a mês. Em novembro, eram 38% os que apontam a violência como principal problema no País. De lá para cá o índice caiu para 36% em dezembro, 31% em janeiro e agora 27%.

A população começa a se preocupar com os problemas tradicionais e que Lula já está acostumado a abordar. São 20% os que citam os problemas sociais (eram 18%), 17% que falam da corrupção, 13% citando a saúde (eram 11%), 12% apontando a economia e 6% citando a educação.

Para quem está na frente, a relativa estabilidade nos números, sobretudo nos dados de primeiro turno, a cada mês que passa, também é sinal positivo, assim como a ausência da reação da chamada terceira via, que poderia tornar mais difícil conquistar o eleitor de centro.

O fato de Lula ter a máquina nas mãos para controlar os rumos do pleito e contar com a tradicional acomodação do eleitorado que está em dúvida e que, na reta final das disputas, em geral, tende a não arriscar, migrando mais para quem está no poder, poderia gerar pontos preciosos de última hora para quem concorre à reeleição

Também é importante destacar que, a despeito do discurso de que os candidatos de centro-direita e direita vão se unir no segundo turno, a migração não é automática nem tão plena. Basta ver que 5% dos eleitores que escolheram Lula em 2022 contra Jair Bolsonaro dizem votar agora em Ratinho no primeiro turno. Seria razoável supor que é um eleitorado que pode der conquistado pelo presidente novamente em um segundo turno contra Flávio.

Além disso, em favor de Lula está o fato de que a maior parte eleitor independente, embora rejeitando o petista, diz que não votaria em Flávio Bolsonaro (52%), contra só 12% que votaria e outros 29% que considerariam votar.

Mas a grande dúvida que teremos que esperar as próximas pesquisas para sanar é o quanto ainda há de espaço para melhorar a avaliação de Lula na faixa entre dois e cinco salários mínimos, exatamente a mais beneficiada com a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000, com redução do valor para quem ganha até R$ 7.500. Nessa faixa, são 50% os que reprovam o governo e 44% os que aprovam, mesmo índice do mês anterior, ainda não refletindo a mudança que aumentará os salários recebidos nesta faixa. O levantamento começou a ser feito na semana em que o primeiro pagamento com o novo valor começava a ser feito e sob forte propaganda do governo federal. Logo saberemos se a mudança é capaz de dar o fôlego que Lula precisa para se estabilizar à frente ou se isso se mostrará mais um tiro de festim.

 

 

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