11 de fevereiro de 2026
Politica

Falta de médicos especialistas escancara erros na formação e revela conflitos entre entidades

A escassez de médicos especialistas no Brasil deixou de ser um alerta e se consolidou como um problema estrutural. Para a Associação Paulista de Medicina (APM), a situação é resultado direto de anos de ausência de planejamento, políticas mal conduzidas e da expansão desordenada da formação médica, sem o devido suporte à especialização.

O impacto é sentido diariamente pela população. Filas prolongadas para consultas e procedimentos especializados atrasam diagnósticos, comprometem tratamentos e aumentam a gravidade de doenças que poderiam ser controladas. O custo recai sobre o sistema de saúde e, sobretudo, sobre o paciente, que enfrenta um atendimento cada vez mais tardio e desigual.

O erro central está na falsa premissa de que ampliar vagas na graduação em Medicina resolveria a carência de especialistas. A entidade ressalta que a formação especializada depende de residência médica, hospitais de ensino, e infraestrutura adequada, elementos que não acompanham a abertura acelerada de cursos. O resultado é um número crescente de médicos formados sem acesso à especialização, enquanto a demanda da população permanece sem resposta.

Para piorar a situação, entidades médicas disputam entre si, quem pode emitir a certificação de especialista.

Isso tem contribuído mais para gerar ruído do que para apontar caminhos concretos. Declarações genéricas e propostas simplificadoras, desconsideram a complexidade da formação médica e desviam o foco das soluções estruturais necessárias.

Em vez de colaborar com dados, planejamento e propostas factíveis, a disputa das entidades acaba por confundir a opinião pública e fragilizar um debate que deveria ser técnico e centrado no interesse do paciente. A falta de especialistas não será resolvida por discursos fáceis ou disputas institucionais, mas por políticas públicas consistentes e de longo prazo.

Outro aspecto crítico é a má distribuição dos especialistas no território nacional. Grandes centros urbanos concentram profissionais altamente qualificados, enquanto regiões periféricas e cidades do interior permanecem desassistidas. A ausência de incentivos, aliada à precarização das condições de trabalho e à desvalorização profissional, dificulta a fixação desses médicos onde eles são mais necessários.

A sobrecarga recai também sobre médicos generalistas, frequentemente pressionados a assumir atribuições além de sua formação, o que aumenta o risco de falhas e compromete a segurança do atendimento. O sistema se torna menos eficiente, mais caro e mais desigual.

O enfrentamento da crise passa por planejamento responsável, ampliação criteriosa da residência médica, valorização do especialista e qualificação do debate público. Sem isso, a falta de especialistas continuará sendo um problema crônico — agravado por intervenções que pouco contribuem para sua solução.

 

 

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