12 de fevereiro de 2026
Politica

CPI do Crime Organizado quer votar convite para Toffoli prestar depoimento

A CPI do Crime Organizado pretende votar na próxima reunião, no dia 24, um convite de depoimento ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), para avançar na apuração do caso Master. Nesta quinta-feira, 12, o relator do caso no STF confirmou que é sócio e recebeu dividendos de uma empresa que fez negócios com um fundo de investimentos ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco. Toffoli negou ter amizade com Vorcaro e disse que “jamais recebeu qualquer valor” pago pelo banqueiro alvo da Polícia Federal (PF).

“Ninguém será blindado, não importa o cargo, o poder que exerça ou a hierarquia que ocupe dentro ou fora das estruturas do Estado”, afirmou o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES). Contarato tem afirmado a aliados que também pretende votar na próxima sessão requerimentos de convocação de dois irmãos do ministro do STF: José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli.

Ambos os irmãos são dirigentes da empresa Maridt, que tem o ministro como acionista. A Maridt é uma sociedade anônima de “livro”, cujos donos não são identificados em registros públicos.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) pediu que o colegiado colha o depoimento do ministro do STF. O requerimento foi apresentado no último dia 27. Como se trata de um convite, o comparecimento não é obrigatório.

“Além dos vínculos societários e econômicos indiretos já descritos, a condução do inquérito envolvendo o Banco Master pelo ministro Dias Toffoli foi marcada por decisões processuais e administrativas pouco usuais em investigações criminais de alta complexidade”, escreveu Girão.

Como mostrou o Estadão, o Congresso tem apontado artilharia contra o ministro, pressionando por CPI e por pautar quebra de sigilo.

Ministro Dias Toffoli, do STF
Ministro Dias Toffoli, do STF

PF enviou ao STF relatório sobre menções a Toffoli no celular de Vorcaro

Nesta semana, a PF encaminhou ao Supremo um relatório sobre menções ao nome de Toffoli encontradas no telefone celular do dono do Master – que incluem diálogos entre os dois.

No comunicado divulgado nesta quinta-feira, 12, Toffoli afirmou que a Maridt é uma empresa familiar e que ele faz parte do quadro societário dela, mas que a administração fica a cargo de seus familiares. Ele argumentou que, de acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, não há impedimento para que juízes integrem o quadro societário e recebam dividendos de empresas, desde que não exerçam a administração.

Como mostrou o Estadão, Toffoli é sócio anônimo da empresa Maridt que é dirigida por seus dois irmãos e tinha participação em dois resorts da rede Tayayá. A empresa vendeu sua fatia no negócio de hospedagem no Paraná a fundos de investimentos que tinham como acionista o pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro.

 

 

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