Impeachment de Dias Toffoli: Senado está diante de tempestade perfeita
O Senado tem hoje mais de 70 pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Embora o alvo recordista seja Alexandre de Moraes, é Dias Toffoli quem enfrenta, pela primeira vez, risco real de ser cassado.
Além de estar cada vez mais enrolado no caso Master, outros fatores criam a tempestade perfeita para Toffoli ser o magistrado supremo a estrear essa decisão inédita do Congresso.
Primeiramente, interlocutores das cúpulas dos três Poderes afirmam em uníssono que Toffoli “não é bem quisto”. Logo, ele não tem defensores ferrenhos dispostos a se contaminar para protegê-lo.
No Judiciário, o Supremo vive sua maior crise institucional em razão dos fatos que o envolvem.
No Legislativo, coleciona desafetos. Afinal, foi ele quem inaugurou o processo de hipertrofia de poder do Supremo ao abrir de ofício o inquérito das Fake News. Sem contar que foram dele votos decisivos que desmontaram a Operação Lava Jato.
No Executivo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o indicou para o STF em 2009, carrega mágoas antigas, além de um entrevero recente em reunião justamente sobre o caso Master.
Todos sabem que, em pleno ano eleitoral, a desconfiança da sociedade em relação à conduta da Suprema Corte, do Banco Central e da Polícia Federal não ajuda em nada o atual governo. Ao contrário disso, dá munição à oposição.
O pior dos cenários para Dias Toffoli tem a confluência de outros fatores. Seu impeachment abriria mais uma vaga no STF. Com isso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pode voltar a negociar a indicação do seu antecessor, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e garantir a aprovação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a cadeira que já existe no Supremo.
Não pensem, porém, que são apenas conjecturas. Nos bastidores, à medida que o nome de Toffoli foi ficando cada vez mais contaminado na investigação do Master, a ideia de ter duas vagas no STF passou a ser vista como uma possível solução para acomodar anseios de integrantes dos três Poderes: Lula encerraria a atual crise com Alcolumbre e o Supremo se livraria de uma mácula.
Não pensem, também, que a possibilidade de impeachment de Toffoli seria resultado de um mancomunado político meramente. Lembrem que nesta quarta-feira, 11, veio a público informação de que a Polícia Federal pediu a suspeição de Toffoli por conta de seu envolvimento com Vorcaro.
Foram encontradas conversas entre o banqueiro e o ministro em celular apreendido pela PF. Também foram identificadas menções a Toffoli em troca de mensagens de Daniel Vorcaro com terceiros. Embora Toffoli negue relações de amizade e comerciais com o banqueiro do Master.
O mal estar relatado entre seus pares na Corte também não deixa dúvidas de que o ministro envergonha o STF e a República. Logo, se o Senado não avançar em seu dever de ao menos analisar os pedidos de impeachment, os congressistas passarão recibo de que têm o rabo preso nas teias de Vorcaro.

