Cúpula do PL aposta em dobradinha feminina com Michelle e Bia Kicis para o Senado
A cúpula do PL aposta em uma dobradinha feminina e puro-sangue para o Senado no Distrito Federal. A ideia é que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro lance oficialmente a candidatura após o carnaval e sirva de principal cabo eleitoral para a deputada Bia Kicis (PL-DF), postulante ao mesmo cargo.
A chapa feminina virou o xodó de Valdemar Costa Neto, presidente do partido, que havia alinhavado um acordo com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), para uma das vagas ao Senado. Mas a situação delicada de Ibaneis, envolvido no escândalo do Banco Master, faz o presidente do PL ter mais cautela.
A aposta de Valdemar: ‘Minha senadora’
Nos últimos tempos, segundo relatos de bolsonaristas, Valdemar passou até mesmo a se referir a Bia Kicis como “minha senadora”. A deputada lançou a pré-candidatura ao Senado em novembro do ano passado, com apoio da família Bolsonaro.
“É uma caminhada por um Senado de coragem, feito por homens e mulheres de coragem, que farão o que deve ser feito para que os Poderes voltem ao seu desenho constitucional e possamos, enfim, ter justiça neste país”, afirmou Kicis na ocasião. Michelle, Valdemar e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, estavam presentes.
Os ativos de Michelle como cabo eleitoral
Na avaliação de parlamentares do PL, um dos principais ativos de Michelle como cabo eleitoral é não só o apelo popular, herdado de Jair Bolsonaro, como a baixa rejeição que ela apresenta em pesquisas internas. Além disso, a ex-primeira-dama arregimenta votos dos evangélicos e das mulheres, que representam a maioria do eleitorado: 52,47%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Bia Kicis, por sua vez, tem boa votação nas classes A e B, mas precisa de mais apoio nas camadas mais baixas. É por isso que pretende fazer campanha ao lado de Michelle.

Uma mulher para a chapa de Flávio
Para a vaga de vice na chapa de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto a procura, agora, é por uma mulher. E a preferência do senador recai sobre a colega Tereza Cristina (PP-MS).
Em 2022, Flávio também defendia a ex-ministra da Agricultura para vice de Jair Bolsonaro, à época candidato a novo mandato.
Bolsonaro, porém, acabou optando pelo general e ex-ministro Braga Netto. Hoje, os dois estão presos por tentativa de golpe de Estado.
“O Braga Netto é um homem honesto e de bem, mas não dava um voto para o Bolsonaro”, disse Valdemar Costa Neto numa referência candidato a vice do então presidente.
Ao abordar as diferenças entre Bolsonaro e Flávio, Valdemar observou que o filho 01 é mais conciliador e tem maior disposição para o diálogo. A diferença vem sendo destacada pelo comando do PL porque muitas pesquisas mostram resistência de eleitores ao perfil de Bolsonaro.
“O Flávio é mais paciente, conversa mais. Nós tivemos muita dificuldade no passado para conversar com o Bolsonaro. Tem assunto que ele não queria conversar, como é o caso do vice”, admitiu Valdemar.
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