14 de fevereiro de 2026
Politica

Dez anos após impeachment, Eduardo Cunha repete estratégia de Dilma para voltar à política

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Dez anos após protagonizar o impeachment de Dilma Rousseff (PT) e ser cassado e preso meses depois, o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (Republicanos), tenta repetir a estratégia da petista para voltar à política. Ele mudou o domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Belo Horizonte (MG) e tem viajado o Estado em busca de apoio e votos para se eleger deputado federal. Em 2018, Dilma trocou Porto Alegre (RS) pela capital mineira e se candidatou ao Senado – ficou em quarto lugar na disputa por duas vagas.

Cunha já havia ensaiado uma estratégia parecida quando se candidatou à Câmara por São Paulo em 2022. Como perdeu o mandato e foi alvo da Operação Lava Jato, ele enfrentou problemas na Justiça Eleitoral e sua candidatura foi liberada apenas duas semanas antes da eleição. Teve 5 mil votos e não foi eleito.

O ex-presidente disse ao Estadão que mudou para Minas por questões pessoais, profissionais e políticas. “A minha filha é deputada pelo Rio, não iria competir com ela”, afirmou Cunha, em referência à deputada federal Dani Cunha (União-RJ).

O ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (Republicanos)
O ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (Republicanos)

Embora cumpra uma intensa agenda de viagens pelos municípios mineiros, a principal aposta dele para chegar ao eleitorado é a rede de rádios Maravilha FM. O Estadão localizou 13 cidades com emissoras ou retransmissoras.

Cinco delas estão em nome de Daniel Cardoso de Sá, genro do ex-presidente. Outras duas, em Pirapora e Frutal, foram mencionadas pelo próprio Cunha em entrevistas à imprensa mineira. Segundo ele, a rádio em Frutal pertence ao pastor RR Soares, que aderiu à rede Maravilha.

As demais foram identificadas pelas redes sociais. Há perfis individuais para emissoras em Belo Horizonte (89,1 FM), Juiz de Fora (89,7 FM), Uberaba (89,3 FM), Uberlândia (89,7 FM) e João Pinheiro (94,7 FM e 96,3 FM). Em Leopoldina, cidade que fica a 60 quilômetros do Rio de Janeiro, ele também comprou uma gráfica.

Segundo Cunha, as rádios são um empreendimento comercial e não político. “Estamos formando uma rede, o que significa ter rádios de terceiros que aderem à nossa rede”, disse ele, evitando dar detalhes para não revelar sua estratégia comercial.

“A única coisa que lhe diria é que São Roque e Araxá é a mesma rádio pegando em dois lugares. Juiz de Fora também é uma complementar de uma rádio do Rio de Janeiro. Além Paraíba é uma rádio que estará no Rio de Janeiro, em Friburgo, muito em breve, assim como tem outras que ainda se integrarão a rede. Isso é negócio privado e não política”, declarou.

Há estações que apenas retransmitem a emissora de Belo Horizonte. Em alguns casos, como Juiz de Fora, há um misto de programação local e retransmissão.

Cunha é presença frequente na programação. Voltada ao público evangélico e com o slogan “a rádio de todas as igrejas que toca o som do céu”, a Maravilha mistura músicas gospel, esporte e jornalismo.

O ex-deputado é o âncora de um programa chamado “Pergunte ao seu prefeito”, no qual questiona as prefeituras mineiras a partir de perguntas e críticas feitas por moradores.

Ele também lê diariamente versículos da Bíblia, participa de uma mesa-redonda sobre as notícias da semana – a última teve como tema os penduricalhos no Judiciário e a CPI do INSS – e entrevista políticos mineiros em um podcast.

Além dos evangélicos, Cunha aposta em conquistar o eleitorado antipetista. “A gente vale pelo histórico que tem. Na política, você para analisar um candidato, tem que olhar o passado dele. O eleitor que não deseja o PT, acha que eu sou efetivo para isso. Eu tenho essa vantagem”, disse ele ao jornal Estado de Minas.

O ex-presidente tem dado atenção especial à região do Triângulo Mineiro. Por meio da rede Maravilha, ele se tornou patrocinador master do Uberaba Sport Club. De acordo com o presidente do clube, Rodrigo Alcino, o acordo vai até 2028. “Eu e Cunha não mediremos esforços para, depois de 13 anos, levar o Uberaba novamente à elite do futebol mineiro”, disse o dirigente, que ensaia ser candidato a deputado estadual em dobradinha com o ex-presidente da Câmara.

A Maravilha também adquiriu os direitos de transmissão dos jogos do clube no Módulo II em 2025, o equivalente à segunda divisão do Campeonato Mineiro.

Alcino disse que o acordo está mantido para a edição 2026. “Por enquanto na Maravilha, mas há chances de abrir a Jovem Pan”, disse.

Cunha disse ao Estadão que no momento não está negociando abrir uma filial da Jovem Pan em Minas. A emissora disse que “não comenta negociações ou tratativas em andamento com potenciais afiliados”. Em uma entrevista ao jornal O Globo, o ex-deputado disse que vai reabrir a Jovem Pan no Rio de Janeiro.

Quando anunciou o acordo com a Maravilha FM e um canal de televisão, o Uberaba disse nas redes sociais que “a conquista foi possível graças à liberação dos direitos de imagem pelo sr. Daniel Lascasas”.

Lascasas é chefe de gabinete do presidente da Federação Mineira de Futebol (FMF). Procurado, ele disse que Alcino, presidente do Uberaba, é um grande amigo, mas negou qualquer participação no acordo. “O direito de transmissão é do clube. O clube optou por negociá-lo diretamente com a rádio mencionada e nos avisou”, disse.

A FMF foi na mesma linha, argumentando que a Lei do Mandante determina que cabe à equipe detentora do mando de campo negociar ou autorizar a exibição de seus jogos pelas emissoras. A entidade disse que, no caso do Uberaba e a rede Maravilha, “não integrou as tratativas, não realizou intermediação e não recebeu valores relacionados às transmissões”.

A federação é comandada por Adriano Aro, irmão do secretário de Governo da gestão Romeu Zema, Marcelo Aro (PP-MG), que acumula o cargo de vice-presidente da entidade.

Aro foi aliado de Cunha na Câmara dos Deputados, mas diz não ter mais relação política com o ex-presidente. “Não tenho nada a ver com a candidatura dele em Minas Gerais. Zero”, afirmou. Cunha, por sua vez, diz que tem boa relação com o secretário. “Mas não dependo de nada dele para viabilizar a candidatura”, declarou.

Partido

Eduardo Cunha tem enfrentado dificuldades para conseguir um partido que tope lançá-lo como candidato à Câmara. Na semana passada, a direção nacional do Podemos vetou a filiação dele. A informação foi confirmada ao Estadão pela deputada federal Nely Aquino, que preside o diretório do partido em Minas Gerais. Ela é aliada de Marcelo Aro.

Cunha dá outra explicação: ele reconhece que conversou com o Podemos, mas sustenta que não houve veto da direção nacional. O que ocorreu, segundo o ex-deputado, é que o diretório mineiro está negociando com um grupo de candidatos “que não quer a presença de qualquer um que possa ameaçar as chances deles”. “O partido a que eles se filiarem certamente não terá a minha presença”, disse.

Atualmente, Cunha está filiado ao Republicanos, mas processou na Justiça o principal quadro da sigla em Minas, o senador Cleitinho Azevedo, que o chamou de “canalha” e “vagabundo” e rechaçou a candidatura do ex-deputado pelo Estado.

O presidente do Republicanos mineiro, Euclydes Pettersen, disse ao Estadão que ainda não há uma definição partidária sobre a candidatura. “Quando eu e o senador Cleitinho chegamos à legenda, o Eduardo Cunha já estava. Vamos conversar sobre isso com o presidente nacional”, disse.

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