Frevo, axé e samba: A oito meses das eleições, Lula fecha maratona carnavalesca com desfile no Rio
RIO – Frevo na manhã do sábado, axé à noite, samba-enredo para fechar o fim de semana. Candidato à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) completa neste domingo um tour pelas capitais com as festividades carnavalescas mais famosas do País.
O fechamento da maratona será na Marquês de Sapucaí, onde estará ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD) para acompanhar a primeira noite de desfile das escolas de samba do Grupo Especial do Rio.

Paes ofereceu dois camarotes da prefeitura para Lula, a primeira-dama Rosângela da Silva, Janja, e convidados, no sambódromo do Rio. O presidente também estará acompanhado de ministros e parlamentares.
O carnaval deve selar a aliança Lula-Paes no Rio. Em janeiro, o prefeito anunciou que é pré-candidato ao governo do Estado. E garantiu ao presidente, em encontro fora da agenda no Palácio do Planalto, que dará palanque para o petista.
Polêmica carnavalesca
O presidente será tema do samba-enredo da escola Acadêmicos de Niterói. O desfile da escola, fundada em 2018, esteve em xeque após questionamentos na Justiça por parte da oposição ao governo Lula. A senadora Damares Alves (PL-DF) e o deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) questionaram o repasse de recursos públicos à agremiação. A Justiça Federal do Distrito Federal rejeitou as ações populares movidas pelos parlamentares.
Na quinta-feira, 12, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, por unanimidade, o pedido do Partido Novo que tentava barrar o desfile. A sigla acusava Lula, o PT e a agremiação de propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder.
Relatora do caso, a ministra Estela Aranha, que foi indicada por Lula, votou pela rejeição do pedido. Os ministros André Mendonça, Kassio Nunes Marques, Cármen Lúcia, Antonio Carlos Ferreira, Villas Bôas Cueva e Floriano de Azevedo Marques acompanharam o voto.
Ao fundamentar seu voto, Estela Aranha afirmou que não é possível reconhecer abuso de poder de forma preventiva, antes da ocorrência dos fatos e da formalização de eventual candidatura.
“A gravidade não é abstrata. É aferida à luz do conjunto probatório, após a ocorrência dos fatos e considerando o contexto da disputa. Não há de se falar em abuso de poder em tese nem discuti-lo preventivamente. Portanto, não caberia declarar abuso antes da realização do evento nem realizar juízo liminar preventivo, sem que a candidatura seja oficializada e sem que o contexto eleitoral seja consolidado”, afirmou.
Cartilha petista
Na manhã de sábado, 14, Lula acompanhou o Galo da Madrugada, tradicional bloco de carnaval do Recife, em Pernambuco. O presidente e a primeira-dama assistiram ao desfile no camarote do prefeito do Recife, João Campos (PSB), que vai disputar o comando do Executivo pernambucano. A governadora Raquel Lyra (PSD), que disputará a reeleição, também esteve presente.

No fim da tarde, Lula seguiu para Salvador, na Bahia, onde esteve no circuito Omar ao lado do governador e pré-candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT), durante as festividades na capital baiana.
No sábado, o PT divulgou uma cartilha orientando seus militantes a evitar manifestações de cunho eleitoral durante o desfile que irá homenagear Lula no Rio.
O texto recomenda que os militantes evitem o uso de expressões de teor eleitoral, como “é Lula outra vez” ou “é Lula 2026.” Também orienta que não sejam usados materiais ou estampas associando o presidente ao número 13, do PT, ou com menções às eleições.
“O evento é uma manifestação cultural, sendo proibida qualquer atividade de cunho eleitoral neste momento. É fundamental, portanto, que todos os participantes estejam atentos e mantenham o foco na grande festa popular e espontânea do Carnaval”, dizem os dirigentes do partido na cartilha.
