17 de fevereiro de 2026
Politica

Moraes amplia pressão sobre o STF ao assumir investigação sobre vazamento de dados da mulher dele

O ministro Alexandre de Moraes ampliou a pressão sobre o próprio Supremo Tribunal Federal (STF) ao assumir, por prevenção relacionada ao fatídico inquérito das fake news, a investigação sigilosa que apura o suposto vazamento de informações fiscais de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e do filho de outro ministro da Corte.

O acesso ilegal a dados de parentes de ministros, se confirmado, é, sim, passível de investigação. Contudo, a missão de determinar qualquer apuração deveria ser do presidente do tribunal, Edson Fachin, como confidenciaram ministros do STF à colunista Carolina Brígido.

O que se vê, porém, é mais uma investigação sigilosa, comandada por Moraes, que será relator, investigador e, posteriormente, juiz de uma causa em que sua família e, por conseguinte, ele próprio, são também vítimas.

Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, é relator do inquérito que apura o suposto vazamento de dados da esposa dele
Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, é relator do inquérito que apura o suposto vazamento de dados da esposa dele

Não é primeira vez. Nas investigações relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, por diversas vezes houve apontamento de juristas sobre o incômodo com o fato de Moraes ser investigador e principal vítima dos ataques do ex-presidente. Na época, o argumento colocado era o de que os ataques vinham do fato de Moraes estar comandando investigações anteriores contra o ex-presidente. Assim, retirá-lo do processo seria o equivalente a permitir que o réu escolhesse o juiz que o julgaria.

O caso agora é diferente e torna mais difícil esse argumento. Moraes não era o relator do caso Master, o mote de onde teria vindo a violação do sigilo de sua mulher. Do que se sabe, não havia nenhuma investigação comandada por Moraes previamente contra o grupo que agora é alvo. O que houve foi o tradicional jeitinho que fez com que o inquérito das fake News, instaurado em 2019, fosse usado como argumento para que mais uma investigação caísse nas mãos de Moraes sem sorteio.

Além disso, o fato de a investigação ser sigilosa, só amplia o desconforto com a situação. A imprensa só sabe que um dos alvos da suposta quebra de sigilo é a esposa de Moraes por ter feito uma apuração paralela sobre o assunto. Na nota do STF, há omissão de quem seriam os alvos do suposto grupo criminoso. Ainda assim, a Corte divulgou o nome dos investigados, mesmo se tratando de um inquérito sigiloso.

Poucos dias depois do traumático episódio do acordão para forçar a saída de Dias Toffoli do inquérito do Master, diante dos questionamentos sobre a suspeição por sua relação pretérita com o entorno de Daniel Vorcaro, o STF ganhou mais um motivo para ser criticado. E, considerando a reação de ministros revelada por Carolina Brígido, sem que tenha havido sequer algum tipo de alinhamento interno para tal.

 

 

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