17 de fevereiro de 2026
Politica

PP descarta apoio a PSD, vê ‘Flávio ou nada’, mas deve definir só a partir de maio

BRASÍLIA – Um dos principais partidos de centro-direita, o PP descarta apoiar uma candidatura do PSD à Presidência, apurou o Estadão/Broadcast. O partido considera que há um cenário de “Flávio Bolsonaro (PL) ou nada”, ou seja, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seria hoje a única opção de apoio ao Palácio do Planalto.

A definição, no entanto, será tomada a partir de maio, com uma maior clareza do tabuleiro eleitoral nacional e após o prazo de desincompatibilização. A sigla também aguarda como será o posicionamento de Flávio: uma condição é que o senador mostre um discurso mais ao centro, sem se resumir a defender o legado do governo do pai. Também há uma preocupação com o projeto que será apresentado.

Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato do PL à disputa presidencial
Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato do PL à disputa presidencial

Flávio Bolsonaro anunciou sua pré-candidatura em 5 de dezembro, e desde então, tenta captar o endosso de siglas como PP, Republicanos, União Brasil e PSD – esta última com pretensões de candidatura própria. Como estratégia, o pré-candidato tem evitado críticas a adversários e diz esperar uma unificação do centro e da direita, ainda que em segundo turno.

O PP é uma das maiores apostas do senador, que tem o hábito de conversar com o presidente da sigla, Ciro Nogueira (PI) – os dois são senadores. Em janeiro, Ciro afirmou ao Estadão/Broadcast que não apoiaria Flávio caso ele adotasse um discurso de extrema-direita.

O PP conquistou a terceira maior capilaridade nas cidades, com 752 prefeitos eleitos em 2024. Para este ano, a sigla pretende focar nas eleições para o Congresso, com o objetivo de aumentar as bancadas atuais de 49 dos 513 deputados e 8 dos 81 senadores. Além disso, deve lançar por volta de cinco nomes aos governos estaduais, o que daria a Flávio palanques estaduais.

Foco nas alianças políticas

Em busca de sustentação política, Flávio Bolsonaro tem focado suas articulações junto aos partidos políticos, diferentemente do pai, Jair Bolsonaro, que criticou o “Centrão” em sua primeira campanha e priorizou as alianças com militares.

Segundo articuladores do senador, Flávio deve retomar as conversas com presidentes partidários assim que voltar do giro internacional que faz desde janeiro. O senador se reuniu com Ciro Nogueira e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, em dezembro, mas teve dificuldade em atrair a alta cúpula de siglas como PSD e Republicanos.

“Da minha parte, sempre houve [união]. Nunca considerei um cenário em que não houvesse integração. Cada partido no seu tempo, respeito isso. Nunca tive dúvida que iremos caminhar juntos. É a analogia do melão no caminhão: a gente vai andando, os melões vão se acomodando”, disse Flávio no útimo dia 3, durante viagem ao Bahrein.

Uma das moedas de troca que o senador deve usar é o posto de vice de chapa, ainda não anunciado. Em janeiro, o senador disse que o escolhido terá de agregar politicamente e citou como exemplo a não ser seguido a escolha de general Braga Netto como vice de Jair Bolsonaro (PL) em 2022: “Nada contra a pessoa do general Braga Netto, adoro ele, é um cara fantástico, mas é uma pessoa que não agregava eleitoralmente, porque o meu pai é militar, ele era militar também”, declarou.

Aliados também têm a expectativa de que o senador seja mais ativo nas escolhas das candidaturas do PL para os governos estaduais.

 

 

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