18 de fevereiro de 2026
Politica

Além da ‘família em conserva’: escola que homenageou Lula também ironizou Bolsonaros e Congresso

BRASÍLIA – O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apresentou enredo carregado de menções e ironias a grupos de oposição ao governo federal e à direita da política.

A escola ficou em último lugar na apuração dos votos e foi rebaixada para a 2ª divisão do carnaval carioca.

Além da ala “família em conserva”, que causou indignação entre evangélicos, a agremiação fez alusões à família do ex-presidente Jair Bolsonaro, ao agronegócio e ao “bloco conservador” do Congresso.

Acadêmicos de Niterói desfilou com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”
Acadêmicos de Niterói desfilou com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”

O desfile criado pelo carnavalesco Tiago Martins foi dividido em cinco setores. O último, batizado de “assim que se firma a soberania”, foi recheado com elementos da história recente de Lula.

O objetivo da escola de samba neste setor foi dizer que Lula “voltou a encarnar pautas voltadas ao trabalhador, ao mesmo tempo em que enfrenta uma extrema direita raivosa”.

Ala
Ala “Neoconservadores em conserva”, da Acadêmicos de Niterói

Um dos versos do samba-enredo da escola dizia “sem mitos falsos, sem anistia”. Mito era a forma como apoiadores de Jair Bolsonaro se referiam a ele, que está condenado e preso por tentar um golpe de Estado. A anistia aos golpistas é uma pauta bolsonarista.

A Acadêmicos de Niterói também fez uma crítica ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na ala “Patriotas da América”. O segmento usou ícones da cultura americana, como orelhas do personagem Mickey e a tocha da Estátua da Liberdade “queimando” a bandeira do Brasil.

O plano foi “expor a relação, nada republicana, de um ex-deputado brasileiro em prol dos interesses de um nação estrangeira contra o seu pai”. O documento oficial que apresenta o roteiro das escolas, entregue à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), não cita nominalmente os Bolsonaro.

A polêmica declaração da senadora Damares Alves, ministra dos Direitos Humanos no governo Bolsonaro, também foi objeto de provocação no desfile.

Na primeira semana do governo Bolsonaro, em janeiro de 2019, ela falou que o Brasil estava em uma “nova era” na qual “menino veste azul e menina veste rosa”.

A escola apresentou dois de seus destaques, um homem e uma mulher, com fantasias intituladas “Menino veste rosa e menina veste azul”. A rainha de bateria, Karinne Rodrigues, usou uma fantasia azul. Erick Oliveira, muso da agremiação, usou rosa.

A criação da escola de samba que mais repercutiu politicamente foi a ala “Neoconservadores em conserva”. A fantasia apresentava uma lata de conserva, “com uma defesa da dita família tradicional, formada exclusivamente por um homem, uma mulher e os filhos”.

Segundo o roteiro da escola, era uma proposta de caracterização dos chamados “neoconservadores” com “humor”.

Na cabeça dos foliões havia adereços que “para enumerar os grupos que levantam a bandeira do neoconservadorismo”. O roteiro cita expressamente: “os representantes do agronegócio (na figura de um fazendeiro), uma mulher de classe alta (perua), os defensores da ditadura militar e os grupos religiosos evangélicos”.

A descrição da ala ainda faz uma menção a parlamentares: “No Congresso Nacional, formam um bloco conservador que defende pautas como flexibilização do porte de armas, exaltação às Forças Armadas, interesses do agronegócio e dos valores tradicionais da família”.

A Acadêmicos de Niterói foi rebaixada para a 2ª divisão do Carnaval do Rio nesta quarta-feira, 18. A grande campeã foi a Viradouro, que homenageou Ciça, um dos principais mestres de bateria dos desfiles.

 

 

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