27 de fevereiro de 2026
Politica

Após operação na Venezuela, aumenta risco de ataque dos EUA ao Irã

Pouco mais de um mês após a queda de Maduro na Venezuela, outra crise internacional se aproxima, agora no Oriente Médio. São altas as chances de um ataque dos Estados Unidos ao Irã até abril, possivelmente já nas próximas semanas, em uma operação que promete ser rápida, cirúrgica, mas de proporções maiores do que as vistas em Caracas. O cenário que se desenha é de baixo impacto imediato para o Brasil e as eleições de 2026, mas isso pode mudar rapidamente. De qualquer forma, a possível queda do regime teocrático iraniano teria consequências geopolíticas e econômicas profundas no longo prazo.

Os sinais de um possível ataque estão claros há semanas. Os Estados Unidos estão concentrando poder militar significativo em torno do Irã, com dois grupos de porta-aviões (USS Abraham Lincoln e USS Gerald R. Ford) escoltados por destróieres, cruzadores com mísseis de cruzeiro e submarinos de apoio. Há reforço de caças táticos, aeronaves de guerra eletrônica, reabastecedores e bombardeiros estratégicos em bases no Golfo, na Jordânia e em pontos avançados como Diego Garcia, apoiados por sistemas de defesa antimíssil. É um aparato maior do que o deslocado contra a Venezuela.

Oficialmente, essa mobilização militar tem o objetivo de forçar os iranianos a fecharem um acordo, com três eixos principais que reduziriam drasticamente a influência internacional de Teerã. Primeiro, o fim do programa nuclear com capacidade de uso militar, interrompendo o enriquecimento de urânio em níveis sensíveis, reduzindo drasticamente os estoques e aceitando inspeções em qualquer instalação. Segundo, o abandono de mísseis balísticos de longo alcance. Terceiro, interromper o apoio a milícias e grupos aliados na região, como Hezbollah, Hamas e houthis.

Os iranianos têm insistido que esses termos são inaceitáveis, nada menos do que uma humilhação. Do outro lado, Washington vê um regime extremamente vulnerável, atormentado por uma grave crise econômica, e que pode estar a apenas um empurrão do precipício. Milhares de manifestantes foram mortos desde o fim de 2025. Nesse contexto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está tentado a agir.

Se os Estados Unidos de fato atacarem o Irã, provavelmente tentarão replicar o sucesso que atribuem à operação na Venezuela. Uma ação rápida e decisiva que neutralize o programa nuclear, as bases de mísseis, e possivelmente também leve a uma mudança de governo sem a necessidade de uma presença militar contínua. Isso é possível se houver colaboração de facções dissidentes em Teerã, mas é mais difícil de conseguir do que na Venezuela. Existe, portanto, um risco maior de que uma operação militar norte-americana cause uma instabilidade mais profunda no Oriente Médio.

As próximas rodadas de negociações entre os Estados Unidos e o Irã e as repercussões de um eventual ataque precisarão ser acompanhadas de perto nas próximas semanas e meses. Se a superioridade militar dos Estados Unidos se impuser rapidamente, forçando um acordo ou por meio de um ataque direto, a tendência é de que os preços do petróleo caiam do atual patamar de 70 dólares. Para o Brasil, isso facilitaria a queda da inflação, com efeitos positivos na popularidade do governo e nas chances de reeleição de Lula. Se o Irã demonstrar maior capacidade de resistência a uma eventual agressão norte-americana, o efeito seria o contrário, com efeitos disruptivos que iriam além de um aumento na cotação do petróleo – e certamente seriam temas de outras colunas.

 

 

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