19 de fevereiro de 2026
Politica

Fator que decidirá a eleição ainda está por vir e debates atuais dificilmente terão peso relevante

Em junho de 2025, pesquisa Genial/Quaest apontava que 57% dos brasileiros rejeitavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto só 40% o aprovavam. Era o pior resultado registrado desde o início do mandato, no momento em que o governo apanhava sem dó com a polêmica do decreto de aumento do IOF. Naquele mesmo mês, a medida seria derrubada pelo Congresso no que foi apontado como o fim da base aliada e da capacidade de Lula de aprovar qualquer coisa no Parlamento.

Há oito meses, o debate político fervia sobre a decisão do STF de regular as big techs, enquanto a Paulista estava cheia de apoiadores para ver Jair Bolsonaro, do alto do trio, bradar contra o STF e o julgamento que aconteceria nos meses seguintes. Flávio Bolsonaro não era aventado como candidato e nem aparecia em pesquisas. Tarcísio de Freitas era a bola da vez. Enquanto a esquerda explorava a fuga de Carla Zambelli para o exterior, a direita reagia fortemente à condenação de um humorista a 8 anos de prisão para apontar que o Brasil viraria uma ditadura, o que era reforçado por falas de Janja, em maio, e de Gilmar Mendes, em junho, sobre a eficácia de um modelo chinês para combater abusos nas redes.

Lula e Flávio Bolsonaro aparecem bem à frente dos demais concorrentes no cenário atual da disputa de 2026
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem bem à frente dos demais concorrentes no cenário atual da disputa de 2026

Oito meses depois, nenhum desses temas faz parte do arcabouço de qualquer análise sobre o resultado das eleições de 2026. Nem a avaliação de Lula, que agora apresenta 49% de desaprovação e 45% de aprovação, segundo a Genial/Quaest de fevereiro.

De lá para cá, tanta coisa aconteceu que é difícil até lembrar dos debates de junho. O que nos obriga a reconhecer que, independentemente das discussões de hoje, como as polêmicas do carnaval chapa branca para Lula no Rio, das tensões ampliadas com evangélicos no desfile ou do momento vivido pelo STF no caso Master, em mais oito meses o cenário tende a trazer muitos outros elementos mais relevantes e mais próximos da decisão do eleitor.

Há nos tempos atuais, em meio a algoritmos que favorecem conteúdos mais ácidos, uma tendência a amplificar demais o peso dos acontecimentos de momento como se fossem determinantes e definitivos. Não é assim que funciona.

A efemeridade trazida pelo volume colossal de informação a que somos submetidos diariamente e a efervescência dos acontecimentos políticos no Brasil recomenda cautela e a consciência de que a eleição, muito provavelmente, será decidida no mês final de campanha ou, talvez, nos últimos dias como se deu nos últimos anos.

Embora o comando da máquina seja motivo razoável para apontar Lula, hoje, como favorito, o fator a decidir a eleição ainda está por vir. Pode sair da exploração dos detalhes e políticos envolvidos no caso Master que ainda não foram revelados ou do avanço nas investigações sobre as fraudes no INSS. Pode surgir de uma nova explosão do debate sobre a violência como se deu com a operação no Rio de Janeiro, do efeito da isenção do imposto de renda no bolso, que não foi sentido, da discussão sobre o fim da escala 6×1 ou de um fator totalmente novo que ainda não foi colocado à mesa.

Em meio à polarização e com posições tão cristalizadas que pouco fizeram as intenções de voto se mexerem nos últimos meses, há pouco o que os candidatos podem fazer de definitivo e há um grupo restrito de eleitores que pode decidir a eleição.

O momento é de construir rotas e aprimorar imagens que possam resistir a cada novo solavanco que poderá ser sentido, com base no que cada um dos lados acredita que será determinante.

É por isso Lula tenta neutralizar o sentimento antissistema com o discurso sobre o Banco Master – como bem enfatizou Carlos Andreazza em seus conteúdos – ou o do fim da escala 6×1. E também a razão de Flávio Bolsonaro trabalhar em um rebranding da imagem da família tentando exibir-se com um candidato bem mais moderado que o pai.

Nos dois casos, a luta é por se posicionar melhor diante de um percentual pequeno de votos ao centro que migra de eleição a eleição e que, provavelmente, será conquistado por um ou por outro na última hora ou talvez apenas na solidão da urna, com base no sentimento que tomar o País de setembro a outubro de 2026.

 

 

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