O que a CPI do INSS tem na mira contra o banqueiro Augusto Lima e o consignado do Master
O empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master e dono do Banco Pleno, que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira, 18, enfrenta sete requerimentos na CPI do INSS. São pedidos de depoimento e de quebra de sigilo fiscal e bancário, ainda pendentes de análise pelo colegiado.
Conhecido como consignado do Master, o Credcesta, que foi adquirido por Lima em 2018 e depois incorporado ao banco, é alvo de três solicitações na CPI, para a quebra de sigilos bancários da companhia.
A ofensiva da CPI contra Lima começou no fim de novembro, quando o empresário e o dono do Master, Daniel Vorcaro, ficaram alguns dias presos pela Polícia Federal (PF). A corporação investiga supostas fraudes financeiras envolvendo o Master.

“Augusto Lima desempenhou papel relevante na criação, desenvolvimento e expansão de produtos de crédito consignado vinculados ao Master e ao modelo CredCesta, o que o coloca em posição central no contexto que envolve concessões de crédito a beneficiários do INSS”, escreveu o senador Izalci Lucas (PL-DF) em um dos requerimentos.
Os pedidos de parlamentares da CPI do INSS contra Augusto Lima
- Quebra de sigilo bancário: senador Eduardo Girão e deputados Marcel Van Hattem, Adriana Ventura e Luiz Lima, do Novo;
- Quebra de sigilo fiscal: senador Eduardo Girão e deputados Marcel Van Hattem, Adriana Ventura e Luiz Lima, do Novo;
- Quebra de sigilo bancário e fiscal: senador Izalci Lucas (PL-DF);
- Convocação: deputado Duarte Jr (PSB-MA);
- Depoimento como testemunha: senador Izalci Lucas (PL-DF);
- Depoimento como testemunha: senadora Damares Alves (Republicanos-DF);
- Depoimento como testemunha: senador Eduardo Girão e deputados Marcel Van Hattem, Adriana Ventura e Luiz Lima, do Novo.
Trajetória de Lima remonta a empresa de consignado
O começo da trajetória de Lima como banqueiro de destaque remonta à empresa de crédito consignado Credcesta, adquirida em uma privatização feita na Bahia em 2018, durante o governo de Rui Costa (PT), atual ministro da Casa Civil. O Credcesta foi incorporado pelo Master em 2019, quando Lima se tornou sócio do banco.
Lima arrematou, depois de dois leilões sem interessados, a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que era dona da rede estatal de supermercados Cesta do Povo, que operava com produtos populares e com preços subsidiados. Lima mantém essa empresa de varejo em operação na Bahia.
Menos de um mês depois de Lima vencer o leilão, o governo da Bahia autorizou servidores públicos e pensionistas a fazer compras no Cesta do Povo com recursos do programa de crédito consignado Credcesta, que também ganhou o direito de ampliar os seus negócios financeiros. Logo, a empresa prosperou e, em poucos meses, ele estava atuando em quase todos os Estados.
BC liquidou Pleno, banco de Augusto Lima
O BC decretou nesta quarta-feira, 18, a liquidação extrajudicial do Banco Pleno. Com isso, o banco deixa de funcionar. Em agosto passado, o próprio BC aprovou a transferência do controle societário do Banco Voiter, que fazia parte do conglomerado do Master, para Augusto Lima, passando a operar sob o nome de Banco Pleno.
Nascido em Salvador, o economista era sócio do mineiro Daniel Vorcaro, controlador do Master. Na época da prisão, sua defesa disse ter recebido a operação “com absoluta surpresa” porque “Augusto Lima já havia se desligado definitivamente de todas as suas funções executivas no Banco Master em maio de 2024″.
