STF descarta abrir investigação sobre vazamento de reunião secreta sobre Banco Master
Embora ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tenham ficado indignados com a possibilidade de terem sido gravados na reunião secreta da semana passada para discutir a relatoria das investigações do Banco Master, não há disposição da Corte hoje em abrir uma sindicância para saber se isso de fato aconteceu.
Alguns fatores contribuem para esse entendimento. O primeiro é que a divulgação de uma apuração interna empurraria novamente o STF para o centro da crise do Master.
Outro ponto é que, para investigar o caso, seria necessário vasculhar celulares de ministros presentes ao local e computadores de quem acompanhava a reunião à distância, o que poderia gerar ainda mais desgaste às relações entre os integrantes da Corte.
A abertura de uma sindicância, em tese, cabe ao presidente do tribunal. Edson Fachin já enfrenta resistência suficiente por parte de aliados de Toffoli no Supremo. Abrir uma investigação a partir da desconfiança do colega poderia piorar a situação dele.
Por fim, se a investigação fosse aberta e instruída, o que fazer a partir da identificação de um culpado se ele for um dos dez ministros? Punir o colega certamente não aliviaria a pressão interna e externa que o tribunal sofre hoje. E mais: o caso poderia alimentar os anseios do Congresso Nacional de instaurar um processo de impeachment contra um dos ministros.
A desconfiança de que a reunião foi gravada e teve o conteúdo vazado surgiu a partir da publicação de uma reportagem no site Poder 360 contando detalhes do que foi discutido, inclusive com frases inteiras ditas por ministros. Hoje, vários ministros dizem, nos bastidores, terem convicção de que Toffoli está por trás do vazamento. Ainda assim, preferem abafar o caso.
Toffoli nega que tenha gravado ou vazado o conteúdo da reunião à imprensa.
