26 de fevereiro de 2026
Politica

Não foi fácil

Foi terrível a luta dos abolicionistas brasileiros para derrubar a mácula da escravidão. Fora fácil e o Brasil não teria sido a última nação do planeta a eliminar o vexame da servidão.

Para Joaquim Nabuco, um adepto da causa da libertação dos escravos, o nome a ser cultuado como incontestável herói nessa empreitada é o de André Rebouças.

A História ainda precisa resgatar o débito para com este engenheiro negro, que enfrentou as dificuldades imagináveis para ascender na sociedade preconceituosa e que assumiu a responsabilidade de levar o discurso libertador a todos os recantos.

Entre 1880 e 1888, André Rebouças esmerou-se em intensificar a propaganda e a conseguir adeptos para aquilo que viria a se concretizar em 13 de maio desse último ano, pela providencial atuação da Princesa Isabel.

Do se diário se extraem algumas das tarefas de que se assoberbou. Entrega e convencimento ao deputado José Mariano, de Pernambuco, de um projeto de Imposto Territorial aplicado à Emancipação. Participou da Sétima Conferência Emancipadora no Teatro São Luís, não só se encarregando da organização, como fazendo a sua divulgação pela mídia. Fundou a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão, em casa do amigo Joaquim Nabuco, à rua Bela da Princesa do Catete, nº 1. Redigiu os Estatutos da Associação Civil Emancipadora.

Distribuiu o manifesto da Sociedade Brasileira contra a Escravidão, redigido por Joaquim Nabuco. Escreveu inúmeros artigos abolicionistas para a Gazeta da Tarde. Elaborou o boletim nº 1 da Associação Emancipadora e o primeiro número do “Abolicionista”.;

Prosseguiu na intensificação da propaganda, inclusive durante o funeral do Visconde do Rio Branco. Remeteu impressos ao Maranhão e distribuiu cartas de Joaquim Nabuco e do ministro americano Henry Washington Hillard, a todas as autoridades que precisariam ser persuadidas de que chegara a hora de arredar do Brasil a pecha de último país escravocrata. Promoveu um banquete abolicionista em honra desse ministro. Redigiu as notícias na Gazeta da Tarde das dezenove conferências realizadas no Teatro São Luís e muitos artigos para o mesmo jornal.

Aos domingos, fazia a Conferência Dominical no Teatro São Luís, junto com José do Patrocínio. Em 1881, Joaquim Nabuco partiu para a Europa e André Rebouças teve de assumir dúplice papel, mas o fez com arrojo e entusiasmo. Continuaram as conferências no Teatro São Luís. Redigiu a memória “Charles Darwin e a escravidão neste Império”. Dirigiu no teatro de Dom Pedro II, o Grande Festival ao Ceará Abolicionista, oportunidade em que entrou em conflito com o escravocrata Sílvio Romero.

Mantinha assídua correspondência com Nabuco, dando conta do que se realizava na capital do Império. Prosseguiu com intensa distribuição de boletins abolicionistas, tarefa aparentemente prosaica, mas em que André se aplicou com tenacidade e de cuja atuação obteve fértil resultado, a julgar pela rapidez com que o movimento abolicionista passou a interessar todos os ambientes e comunidades.

Quando, depois de pré-agendado, houve a recusa do Teatro São Luís para a 36ª Conferência Emancipadora, ele conseguiu transferência para o Teatro Ginásio, mas ela só pode realizar-se depois que ele, André Rebouças, e José do Patrocínio, varreram o recinto e o espanaram, enquanto os partícipes aguardavam à espera de abertura dos portões.

Ele também atuou pela eleição de Joaquim Nabuco a deputado. O candidato voltou da Europa em 8 de maio de 1881, quando lhe foi oferecido um banquete promovido por André Rebouças. Ele também foi o responsável pela instalação de um escritório de campanha, chamado “Clube Nabuco”, logo dissolvido pelo mau êxito da eleição. Nabuco não conseguiu ser eleito e partiu para Londres em novembro de 1881.

Nunca deixou de atender a convites para palestras e conferências, para todos os públicos e para qualquer número de ouvintes. Publicou catorze artigos da série “Abolição imediata e sem indenização”. Elaborou o projeto do deputado Leopoldo Bulhões, de Goiás, propondo a abolição imediata. Proferiu conferências sobre uma Sociedade de Imigração, a primeira manifestação consequente de medidas atinentes ao vácuo de mão-de-obra a criar-se na lavoura, após à emancipação.

E isto é parte mínima do que promoveu André Rebouças, que precisa ser redescoberto com urgência, pois ele está sendo injustiçado ao não figurar no Panteão da Comunidade e não residir no coração de cada brasileiro.

 

 

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