PL define palanque para Flávio no Rio e prevê influência de Eduardo na eleição em São Paulo
BRASÍLIA – O Partido Liberal (PL) definiu nesta terça-feira, 24, as vagas para o Senado e o governo estadual no Rio de Janeiro após o retorno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) da viagem aos Estados Unidos, onde discutiu com o irmão Eduardo seu papel na eleição em São Paulo.
O PL escolheu Douglas Ruas, secretário de Cidades no governo fluminense, como pré-candidato à sucessão do governador Cláudio Castro (PL), que deverá concorrer ao Senado. O candidato a vice será Rogério Lisboa (PP), ex-prefeito de Nova Iguaçu.

A outra vaga ao Senado será destinada a Márcio Canella (União Brasil), prefeito de Belford Roxo. Ele prometeu convidar Rogéria Bolsonaro, ex-mulher de Jair Bolsonaro e mãe de Flávio como suplente.
O anúncio foi feito numa coletiva de imprensa feita de última hora na sede nacional do PL, em Brasília. Também estiveram presentes o senador Bruno Bonetti (PL-RJ), o deputado federal Altineu Côrtes, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), o prefeito de Nova Iguaçu, Dudu Reina, o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, o líder do Progressistas e deputado pelo Rio de Janeiro, Dr. Luizinho, e o chefe de gabinete do Governo do Estado, Rodrigo Abel.
Trata-se da primeira chapa definida para dar palanque completo a Flávio em um Estado. O senador Carlos Portinho (PL-RJ), que tentava angariar apoio interno para sua reeleição, foi preterido na articulação.
“O Partido Liberal, para minha infelicidade, definiu outros nomes para a disputa ao Senado pelo Rio de Janeiro em 2026. Minha gratidão será maior do que a eventual frustração com a decisão do nosso pré-candidato, Flávio Bolsonaro. Preocupa-me, mas respeito”, afirmou Portinho por meio de nota após a decisão da chapa ser anunciada.
A composição marca a aliança da federação União Brasil-PP com o PL, ao menos em nível estadual. Em 2022, a coalizão que tentou reeleger Bolsonaro na Presidência da República teve, além do PL, os partidos Republicanos e Progressistas.
Será a primeira vez em 36 anos que a eleição do Rio ao Legislativo não terá um Bolsonaro concorrendo. O ex-vereador Carlos vai disputar o Senado por Santa Catarina, o que tem causado crise entre lideranças estaduais que veem interferência da família na política local.
Eduardo na eleição de São Paulo
Flávio afirmou que o irmão Eduardo, deputado federal que foi cassado por faltas após se autoexilar nos Estados Unidos, vai participar da escolha do pré-candidato ao Senado em São Paulo. Os dois estiveram juntos no fim de semana durante a ida do senador ao país.
“A gente falou um pouquinho mais sobre São Paulo. O Eduardo vai ter uma importância, um peso gigante em relação à vaga do Senado. Lembrando, inclusive, que o Eduardo está elegível, apesar de estar fora. As pesquisas mostram ele na frente, em primeiro, (na corrida) em São Paulo. Então não adianta tratar ele como carta fora do baralho”, disse Flávio.
O senador afirmou que o irmão vai “querer emprestar a imagem” aos candidatos ao Senado e a Tarcísio de Freitas (Republicanos), que vai tentar a reeleição ao governo. Questionado se Eduardo pensa em concorrer ao Senado mesmo fora do País, Flávio disse que vê ressalvas na ideia, mas que o irmão pensa nisso.
“O que eu falo para ele é que ele teve a chance teórica de ser candidato, se ele quisesse. É óbvio que ele quer. Mas o que eu falo para ele é o seguinte: se foi tomado o mandato de deputado federal dele por faltas, como ele vai explicar ao eleitor que ele pode ser candidato sem estar presente aqui? Estamos fazendo pesquisas para ver qual é o melhor caminho, e o Eduardo quer tomar uma decisão que tenha alinhamento com o governador Tarcísio, passando pelo presidente Bolsonaro”, afirmou.
O acerto de Bolsonaro e do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, com aliados é que uma das vagas ao Senado (serão duas em disputa em 2026, o que ocorre a cada oito anos) é definida por Bolsonaro e a outra, pelo governador ou aliados fortes naquele Estado. Em São Paulo, no caso, uma será da escolha de Tarcísio, e a outra, dos Bolsonaro.
Pessoas próximas à família Bolsonaro não descartam Eduardo concorrendo como suplente na corrida pelo Senado em São Paulo. Mas sua situação jurídica é obstáculo para o plano.
O Supremo Tribunal Federal (STF) formalizou na semana passada a abertura de ação penal contra Eduardo pelos crimes de obstrução à Justiça e coação no curso do processo. Relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes conduz a ação. Com a decisão, Eduardo passou oficialmente à condição de réu.
A denúncia foi recebida por unanimidade pela Primeira Turma da Corte em novembro de 2025, no âmbito das investigações sobre a trama golpista. Ao aceitar a acusação, os ministros entenderam haver indícios suficientes para a abertura do processo.
Eduardo passou a atuar junto à Casa Branca para impor sanções ao Brasil e ao STF, numa tentativa de pressionar as instituições a interromper as ações contra seu pai, Jair Bolsonaro. O ex-presidente acabou condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe, em setembro, e começou a cumprir a pena em novembro.
