Anotações de Flávio Bolsonaro em reunião do PL mostram Eduardo e Ciro Gomes em chapas eleitorais
BRASÍLIA – Anotações feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, durante uma reunião de dirigentes do Partido Liberal na tarde desta terça-feira, 24, mostram estratégias e alianças ainda em construção pelo Brasil.
A cúpula da legenda cogita, por exemplo, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro como possível candidato ao Senado por São Paulo, uma aliança com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará e o senador Esperidião Amin (PP) fora da chapa bolsonarista em Santa Catarina.
O documento, intitulado “situação nos Estados” e obtido pelo Estadão, tem anotações do próprio Flávio, como foi confirmado por ele nesta quarta-feira, 25. Após o encontro, o partido anunciou a chapa para o Rio de Janeiro, com Douglas Ruas (PL) ao governo estadual, Rogério Lisboa (PP) de vice, e o governador Cláudio Castro e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União) ao Senado.

Nas anotações do PL sobre São Paulo, o deputado federal e ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP) aparece como cotado para uma das vagas ao Senado. Na outra, consta uma lista de opções: Renato Bolsonaro, Mario Frias (PL), Eduardo Bolsonaro (identificado pela sigla EB), o vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL), e o deputado federal Marco Feliciano (SP).
O vice do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Felício Ramuth (PSD), aparece um cifrão ($) ao lado do nome. Nos últimos dias, o site Metrópoles publicou que Ramuth é alvo de investigação em Andorra sob suspeita de lavagem de dinheiro – Tarcísio chamou a informação de “fofoca”. Flávio escreveu ao lado do nome dopresidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL): “vice?”.
Em Minas Gerais, Flávio Roscoe (PL), presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), e o vice-governador Mateus Simões (PSD), são cotados ao governo estadual.
A anotação “conversa com Nikolas” aparece ao lado do nome de Roscoe, e há a seguinte anotação ao lado de Simões: “me puxa para baixo. Se for candidato, Cleitinho e Pacheco também são”, em referência ao senador do Republicanos e o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD).
Para o Senado em Minas, há as opções: Carlos Viana (Podemos), Marcelo Aro (PP), Eros Biondini (PL) e Domingos Sávio (PL). Há uma marca ao lado dos nomes de Viana e Sávio.
No Ceará, Estado palco de um racha entre o grupo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o de Flávio, o ex-presidenciável Ciro Gomes aparece como opção ao governo (“No palanque com Ciro pode fazer também Capitão Wagner x PT” está anotado ao lado). Alcides Fernandes (PL), também esperado como “palanque FB”, Priscila Costa (PL) e Roberto Cláudio (União) são opções ao Senado.
Já em Santa Catarina, o Estado mais identificado com o bolsonarismo, o governador Jorginho Mello (PL) consta como nome à reeleição, seguido de Carlos Bolsonaro (PL) e Caroline de Toni (PL) como candidatos ao Senado. O senador Esperidião Amin (PP), aliado dos Bolsonaro, aparece com o nome riscado, sugerindo estar fora da aliança.
No Distrito Federal, o governador Ibaneis Rocha (MDB), aliado bolsonarista, também aparece escanteado. Ele é pré-candidato ao Senado, mas os nomes do PL à Casa constam como Michelle Bolsonaro (PL) e a deputada federal Bia Kicis (PL). Celina Leão, vice-governadora, é a aposta para o governo.
No Paraná, Guto Silva (PSD) e Sergio Moro (União) são os nomes ao governo, enquanto Filipe Barros (PL), Cristina Graeml (Podemos, “não dá, atrapalha o Filipe”) e Deltan Dallagnol (“candidato do Ratinho, 1º nas pesquisas, se garante”) aparecem ao Senado.
Veja os planos para os demais Estados
Acre
- Governo: Tião Bocalom, Alan Rick (União
- Senado: Márcio Bittar (PL), Gladson Camelli e/ou Ulisses
Alagoas
- Governo: JHC (“conversar até dia 15 de março”), Alfredo Gaspar (“único que pedirá voto em mim”)
- Senado: Marina Cândida (PL), esposa JHC
Amapá
- Governo: Dr. Furlan (MDB)
- Senado: Rayssa Furlan (Podemos > PL “Valdemar”), Lucas Barreto (PSD)
Amazonas
- Governo: Maria do Carmos Seffair (PL)
- Senado: Capitão Alberto Neto (“conversar Sg. Salazar > perdemos se houver composição c/ Wilson”), Plínio (PL)
(“Maria do Carmo foi vice à prefeitura de Alberto Neto”)
Bahia
- Governo: ACM Neto (União) > “Conversar 1º, depois tratamos de palanque completo”
- Senado: João Roma (PL)
Espírito Santo
- Governo: Lorenzo Pazolini (Republicanos)
- Senado: Evair de Melo (PP), Maguinha Malta (PL) “conversar c/ Magno”
Goiás
- Governo: Daniel Vilela (MDB), Wilder Moraes (PL)
- Senado: Gracinha Caiado (União), Gustavo Gayer (PL) > “Valdemar”
Maranhão
- Governo: Eduardo Braide (PSDB), Roberto Rocha (Republicanos)
- Senado: Detinha (aparece com um X no nome)
Mato Grosso
- Governo: Wellington Fagundes (PL) > “primeiro lugar nas pesquisas”
- Senado: Mauro Mendes (União), José Medeiros (PL), Janaína Riva (MDB) > “nora de Wellington”
Mato Grosso do Sul
- Governo: Eduardo Riedel (PP)
- Senado: Reinaldo Azambuja (PL), Capitão Contar (PL)
Pará
- Governo: Mário Couto (PL), Simão Jatene (PL) > as siglas aparecem riscadas
- Senado: Joaquim Passarinho (PL), Delegado Éder Mauro (PL)
Paraíba
- Governo: Efraim Filho (União > PL)
- Senado: Marcelo Queiroga (PL), Major Fábio (PL)
Pernambuco
- Governo: Raquel Lyra (PSD), Mendonça Filho (União)
- Senado: Miguel Coelho (União)
Piauí
- Governo: –
- Senado: Ciro Nogueira (PP), Tiago Junqueira (PL)
Rio Grande do Sul
- Governo: Luciano Zucco (PL)
- Senado: Marcel Van Hattem (Novo), Sanderson (PL)
Rondônia
- Governo: Marcos Rogério (PL)
- Senado: Fernando Máximo (União), Marcos Rogério (PL), Bruno Scheid (PL), Coronel Marcos Rocha (União, “deve ficar no mandato, não será candidato”)
Roraima
- Governo: Tereza Surita (MDB), Arthur Henrique (PL, “rompeu com Tereza”)
- Senado: Mecias de Jesus (Republicanos), Nicoletti (União)
Sergipe
- Governo: Ricardo Max (PL)
- Senado: Rodrigo Valadares (União > PL)
Tocantins
- Governo: Professora Dorinha (União)
- Senado: Eduardo Gomes (PL), Carlos Gaguim (União)
