‘Nem um vice desleal mereceria o que Alckmin está vivendo’, diz líder do PSB na Câmara
BRASÍLIA – O líder do PSB na Câmara dos Deputados, Jonas Donizette (SP), disse que “nem um vice desleal” mereceria o que o vice-presidente Geraldo Alckmin está vivendo. O comentário faz referência a alas do governo e do PT que defendem a troca no cargo para a disputa ao Palácio do Planalto neste ano.
“Eu tenho certeza que ele continua de vice. Acho injusto o que estão fazendo com ele”, afirmou o parlamentar. “Um vice desleal não mereceria o que ele está vivendo. Ainda mais um vice leal como ele”, disse.

Correligionário do também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Donizette disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “arrumaria um problema” para si caso optasse por colocar outro nome na Vice-Presidência.
“Eu acho que o Lula não tem por que tirar (Alckmin do cargo). E se tirar vai arrumar um problema para ele. Porque em política não tem vácuo, não tem cadeira vazia. Todo espaço vazio tem briga”, disse Donizette.
Esse tema é alvo de divergências dentro do próprio PT. Um dos principais defensores da manutenção de Alckmin é o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. “Foi uma espécie de contrato que nós assinamos com o eleitorado, de que essa aliança criaria as condições para vencermos a eleição”, afirmou, em evento do partido no começo deste mês de fevereiro.
Em declaração também em fevereiro, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, disse que o partido respeitará uma eventual decisão de Alckmin caso ele queira permanecer na chapa de Lula. Para ele, a composição não está fechada e caberá a Alckmin a decisão de qual papel ele pretenderá assumir.
No momento, o vice opta pela discrição. “Tem dois ansiosos na vida: políticos e jornalistas”, afirmou a jornalistas há duas semanas.
Donizette vê uma disputa parelha para Lula em outubro. “Não vai ser uma eleição folgada. Mas eu acho que, por enquanto, o que eu já vi o Lula falar, e eu acredito que ele tem razão, o governo tem muito mais condição de converter votos conforme vai se aproximando a eleição do que a oposição”, disse.
