27 de fevereiro de 2026
Politica

STF tende a confirmar no plenário suspensão dos ‘penduricalhos’

BRASÍLIA – Mesmo com críticas pontuais à liminar que suspendeu o pagamento de “penduricalhos” a servidores dos Três Poderes, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) deve confirmar nesta quarta-feira, 25, a decisão tomada pelo ministro Flávio Dino. A liminar determina que sejam cortados dos vencimentos do funcionalismo público benefícios não previstos em lei.

No tribunal e em outras esferas do poder público, a decisão de Dino foi atacada especialmente pelo prazo de 60 dias que o ministro estabeleceu para a medida ser cumprida. A avaliação é que o tempo é muito curto para se realizar um pente-fino em todos os contracheques da administração pública. Esse ponto deve ser debatido em plenário.

Plenário do STF vai julgar se mantém ou não liminar de Flávio Dino que suspende pagamentos de benefícios em toda a administração pública
Plenário do STF vai julgar se mantém ou não liminar de Flávio Dino que suspende pagamentos de benefícios em toda a administração pública

Dino também determinou que o Congresso Nacional elabore uma lei para disciplinar o pagamento de “penduricalhos”. Parlamentares ponderam que, em ano eleitoral e com outras prioridades estabelecidas pelo Legislativo, ficará difícil aprovar a legislação logo.

Nesta terça-feira, 24, ministros do STF conversaram com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para tratar do assunto. Os dois listaram as dificuldades do Congresso para cumprir a medida. Entre as prioridades deste ano na política, está a aprovação da PEC da Segurança Pública.

Por fim, ficou definido que o STF, o Congresso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Tribunal de Contas da União (TCU) elaborariam nos próximos dias uma proposta de regra de transição para o corte dos benefícios, o que inclui o estudo de um prazo mais longo.

Também estavam presentes à reunião desta terça o presidente do Supremo, Edson Fachin, o vice, Alexandre de Moraes, os ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, além do vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, e do presidente do TCU, Vital do Rêgo.

Um dia antes do encontro, Fachin, Moraes e Dino haviam conversado sobre o mesmo tema com o ministro da Fazenda substituto, Dario Durigan.

Na segunda-feira, 23, Gilmar Mendes deu nova decisão para limitar o pagamento de “penduricalhos” a integrantes do Judiciário e do Ministérios Público a benefícios previstos em lei aprovada pelo Congresso. O ministro deu 60 dias para a interrupção de pagamentos determinados por leis estaduais e 45 dias para a suspensão de pagamentos fixados por decisões administrativas.

A liminar de Dino é do dia 5. A ordem é para que o poder público avalie quais verbas indenizatórias são realmente justificadas por uma atividade específica realizada a trabalho – por exemplo, uma viagem. No dia 19, o ministro complementou a decisão e proibiu a publicação de novas leis que garantam o pagamento de novos “penduricalhos” que furem o teto do funcionalismo.

Nas decisões, Dino e Gilmar ponderaram que os benefícios resultam em salários superiores ao teto do funcionalismo público, hoje no valor de R$ 46.366,19. As liminares não afetam ministros do STF. No Judiciário, os supersalários estão concentrados especialmente nos Tribunais de Justiça.

Também há críticas jurídicas à liminar de Dino. A ação que resultou na decisão questionava apenas os vencimentos de procuradores municipais de Praia Grande (SP). O ministro estendeu o entendimento para todo o funcionalismo público do País, incluindo o governo federal.

Mesmo com críticas pontuais, ministros do STF ouvidos em caráter reservado pelo Estadão acreditam que haverá maioria pela validação da liminar. Um dos motivos é tentar melhorar a imagem do tribunal depois que ele foi atingido pelo escândalo do Banco Master. A decisão de Dino aponta o alvo para outras miras ao mostrar que os privilégios não estão concentrados no Judiciário, mas perpassam também Legislativo e Executivo.

Nesse contexto, uma eventual decisão do plenário de derrubar a liminar de Dino poderia ensejar mais ataques ao Supremo e impulsionar novamente o debate público acerca de um código de ética para os ministros. Como o julgamento será presencial e diante das câmeras, haverá pressão maior da opinião pública pela manutenção da liminar.

Caso a decisão provisória seja referendada em plenário, ela deve ter validade até o fim das negociações com Congresso e TCU, ou até o Supremo analisar o mérito do caso em novo julgamento.

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *