26 de fevereiro de 2026
Politica

TCU dá 15 dias para STF, STJ e TST repassarem informações sobre salas VIP em aeroporto

BRASÍLIA E SÃO PAULO – O Tribunal de Contas da União (TCU) deliberou hoje que vai realizar diligência junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) para que, no prazo de 15 dias, as Cortes encaminhem documentos ou esclarecimentos relacionados a contratos para acesso a salas exclusivas no Aeroporto Internacional de Brasília.

Como mostrou o Estadão, os três tribunais, somados, preveem nos contratos gastar mais de R$ 1,6 milhão por ano para manter o benefício.

Vista externa (fachada) do prédio do Tribunal de Contas da União (TCU)
Vista externa (fachada) do prédio do Tribunal de Contas da União (TCU)

Foram solicitadas, por exemplo, cópias dos contratos vigentes, expirados e correlatos à contratação de salas VIP, além de justificativas técnicas, modalidades de contratação e fundamentos legais. Também foram pedidos estudos de viabilidade e comparativos de alternativas a essas contratações.

O caso foi apreciado após o Congresso Nacional requerer auditoria nos contratos firmados pelo STF, STJ e TST para acesso a salas exclusivas no Aeroporto de Brasília. Nesta quarta-feira, 25, não houve avaliação de mérito da questão. A diligência vai subsidiar uma eventual análise conclusiva.

Em um parecer enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU) no ano passado, o subprocurador-geral do Ministério Público junto à Corte, Lucas Furtado, questionou a legalidade e o interesse público desses gastos dos tribunais. O MPTCU afirma que não existem estudos técnicos que comprovem a necessidade dessas salas VIPs e de outros serviços exclusivos.

Em abril do ano passado, o TST fechou um contrato de R$ 1,5 milhão para reformar e ter acesso a uma sala VIP no Aeroporto de Brasília.

O Estadão revelou que o contrato faz parte de um movimento iniciado anos antes pelo STJ e pelo STF para que seus membros desfrutem, além do ambiente privativo, de serviços exclusivos e regalias ao embarcarem para seus compromissos.

Além do acesso à sala VIP, com direito a atendente exclusivo, os acordos incluem transporte executivo entre o portão de embarque e a aeronave, a fim de evitar encontros com “pessoas mal-intencionadas ou inconvenientes”, conforme justificativa do TST. Os contratos também preveem serviço de recepção e estacionamento privativo.

No caso do TST, o contrato previa ainda uma obra no aeroporto para que o local antes ocupado por um spa se transformasse em uma sala VIP com acomodações em granito e banheiros exclusivos. O projeto previa um espaço de 44 metros quadrados, e o aluguel custa R$ 30 mil mensais ao TST, além de outros R$ 2,6 mil por mês destinados ao rateio das despesas.

 

 

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