27 de fevereiro de 2026
Politica

Ex-juíza que ganhou R$ 113 mil quer estabilidade do serviço público e vida de executivo privado

O episódio do Andreazza Reage desta semana trata do discurso da juíza aposentada Cláudia Márcia de Carvalho Soares, que defendeu no Supremo Tribunal Federal (STF) o pagamento de penduricalhos a magistrados no primeiro dia do julgamento do tema, na quarta-feira, 25. Ela reclamou que os juízes muitas vezes precisam pagar o carro que usam, a gasolina que os veículos consomem e o próprio café. O Estadão mostrou que ela recebeu R$ 113,8 mil líquidos em dezembro, segundo dados da folha do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1).

“A turma foi argumentar, juízes, ex-juízes, amigos da Corte, a favor das verbas indenizatórias e chorar a miséria da condição do juiz no Brasil”, comenta Andreazza.

O colunista destaca a reclamação da ex-juíza sobre a expressão penduricalho. “Talvez ela tenha razão. Porque não tem nada pendurado nele. Está tudo para dentro. Penduricalho é o que está pendurado. Não tem nada pendurado. Está tudo dentro, no caixa, indo pro bolso dos juízes”, diz ele.

Andreazza destaca a busca da magistrada aposentada por chamar o espírito de corpo na Corte.

A juíza do trabalho aposentada Cláudia Márcia de Carvalho Soares recebeu cerca de R$ 113,8 mil líquidos em dezembro.
A juíza do trabalho aposentada Cláudia Márcia de Carvalho Soares recebeu cerca de R$ 113,8 mil líquidos em dezembro.

“Eles (os ministros) vão se sensibilizar. Chamou corporativamente. ‘Nós somos vítimas de escolhambação de um grupo. O senhor sabe, ministro Fachin’. Ela está dizendo para o ministro Fachin que o Supremo que ele preside e os ministros estão sendo vítimas de ataques. E é um ataque ao Judiciário. Agora, eu quero saber: que grupo? Quem é que está atacando? Porque a crítica, a constatação crítica do absurdo que alguém, sendo o teto constitucional de R$ 46 mil, alguém receber R$ 113 mil líquidos? O teto Constitucional é bruto. Eu quero saber quem é que está atacando, pois a crítica vira ataque”, comenta.

O colunista também pondera que a magistrada deveria estar reclamando da imagem ruim do Judiciário, na primeira instância, gerada pelo trabalho e pelas relações dos ministros do Supremo.

Carlos Andreazza também cita os sinais de que está se armando em Brasília um acordo para uma transição nas regras dos penduricalhos.

“Pode ultrapassar o teto? Não é se pode ultrapassar o teto. Estão armando um acordão. Tem um acordão sendo costurado. O Parlamento, inclusive, entrou na parada, Alcolumbre, o Hugo Motta, a tal da regra da transição”.

“Mas perceba que tem um acordo, uma tentativa de acordo, para uma regra de transição que é uma espécie de desmame. O desmame da ilegalidade, o desmame da mamata. Não, está errado. É ilegal. Não pode”, enfatiza.

Para Andreazza, da tribuna, a magistrada indicou querer a estabilidade do serviço público com a vida de um executivo da iniciativa privada.

“Você que está me vendo, tem que comprar o teu carro e pagar o financiamento. E você que trabalha na iniciativa privada está submetido ao risco, ao risco de ser demitido a qualquer momento. Não tem a estabilidade da rapaziada. Mas ela quer a estabilidade do serviço público com uma vida de executivo da iniciativa privada. Senhora, com todo respeito, largue a toga, a senhora já é aposentada. Vai empreender, vai trabalhar numa empresa, tomar riscos”, encerra.

Leia a íntegra do Andreazza Reage no vídeo acima.

 

 

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