26 de fevereiro de 2026
Politica

Flávio diz que querem separá-lo de Nikolas e Michelle e que pai preso estará em posse na Presidência

BRASÍLIA – Durante uma reunião na sede do Partido Liberal, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, criticou aqueles que querem “separá-lo” do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

O encontro, feito a portas fechadas na quarta-feira, 25, foi convocado para pacificar o clima de desunião dentro do partido, segundo o relato de deputados. Nos últimos dias, a família Bolsonaro e aliados trocaram farpas em público sobre uma suposta falta de engajamento na pré-candidatura de Flávio e expuseram um novo racha na direita.

Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, tenta minimizar racha no PL
Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, tenta minimizar racha no PL

Michelle faltou ao evento, alegando ter uma visita ao marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no presídio da Papudinha. Nikolas sentou ao lado esquerdo de Flávio, na parte central da mesa. O senador agradeceu à presença do deputado mineiro, uma vez que ele escolheu estar no encontro em meio ao estado de calamidade pública que vive Juiz de Fora (MG) após fortes chuvas.

“Não adianta querer me separar de Nikolas, de Michelle”, disse Flávio durante um discurso para a plateia repleta de deputados e senadores da legenda.

Em sua fala, Nikolas endossou a declaração de Flávio para apaziguar os rumores de racha. “Já foram dezenas de tentativas de nos afastar, afastar até mesmo eu do presidente (Bolsonaro). No meu Estado, eu farei campanha para o Flávio e cairei para dentro, porque, já falei, Minas decide eleições”, declarou o deputado.

Os rumores de racha na direita cresceram com uma declaração do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, segundo quem Michelle e Nikolas estariam com “amnésia”, já que foram eleitos e assumiram cargos sob o “guarda-chuva” político de Jair Bolsonaro.

Nikolas rebateu, afirmou que Eduardo “não está bem” e saiu em defesa de Michelle. “Eu discordo que eu tenha amnésia e que a Michelle tenha amnésia. Eu me lembro muito bem de todos os anos em que fui atacado injustamente”, disse no sábado, 21.

Flávio chorou ao lembrar da visita que fizera ao ex-presidente mais cedo e disse que era a primeira vez que conhecia o lugar onde o pai dorme, uma cela de 65 m² no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. E sugeriu que, se derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição de outubro, vai dar um indulto a Bolsonaro para que o pai esteja presente em sua posse no Palácio do Planalto.

“Hoje quando eu estava saindo (da Papudinha) eu falei: ‘pai, você vai estar na minha posse’. A gente vai ganhar essa eleição, e antes de sentar naquela cadeira, a gente vai resolver esse problema. Esse Congresso já devia ter tido a coragem de resolver”, afirmou, em referência ao projeto de anistia para os presos por tentativa de golpe.

Pré-candidatura como projeto de Deus

Flávio citou ter havido desconfiança dentro do partido com o anúncio de sua pré-candidatura em dezembro, uma vez que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aparecia como favorito de alguns, antes de dizer que o seu projeto eleitoral seria obra de Deus.

“Há três meses, a gente estava aqui falando, e sob ainda muitos olhares de desconfiança, muitos questionamentos se a decisão que tinha sido tomada estava certa ou errada, mas eu sempre falei para vocês que não estou nessa por ambição pessoal. Eu sei que isso é projeto de Deus”, afirmou.

O tom religioso esteve presente em todo o discurso. Flávio declarou que o raio que atingiu apoiadores de Nikolas, ao fim da caminhada que fez de Paracatu (MG) a Brasília em janeiro, seria intervenção divina.

“O silêncio não é mais opção para a gente. O Brasil acordou de verdade, se sentiu encorajado com essa caminhada, Nikolas. A maior prova de que é Deus que está chamando cada um de nós aqui é o que aconteceu quando Nikolas chegou aqui. Ninguém ache que aqueles raios que caíram não foram fruto da guerra espiritual que a gente já está vivendo. Não tenham dúvida disso”, disse Flávio.

Ao fim, o senador disse que passou por uma “transformação” desde que se converteu “de verdade” em 2022 e pediu aos aliados: “Quem ainda não fez, quem ainda não aceitou Jesus Cristo como o seu salvador, por favor, faça”.

Acenos aos prejudicados

Flávio pediu ajuda aos correligionários e agradeceu aos aliados rifados nas articulações para a montagem de chapas nos Estados. As escolhas por nomes menos ligados ao bolsonarismo em algumas regiões têm desagradado uma ala do partido.

Ele citou o caso do senador Carlos Portinho (PL-RJ), preterido como opção para as duas vagas ao Senado para priorizar siglas aliadas no Rio de Janeiro; do deputado Gustavo Gayer (PL-GO), prejudicado pela escolha de Wilder Morais (PL) ao governo estadual em vez de uma aliança com o governador Ronaldo Caiado (PSD); e do senador Rogério Marinho (PL-RN), que abriu mão de tentar o governo do Rio Grande do Norte para coordenar as alianças eleitorais a nível nacional.

“A gente vai para essa campanha com um cenário muito mais favorável, acreditem se quiserem, que 2022. O presidente Bolsonaro optou na época por não participar efetivamente da tomada de decisão nos Estados porque isso geraria inevitavelmente consequências para a base dele no Congresso”, disse Flávio aos aliados.

Todas, todos, todes

No começo de seu discurso, o senador, que tenta um movimento de discurso para se mostrar mais moderado ao eleitor de centro, mencionou a publicação que fez nas redes sociais usando o gênero neutro que incomoda setores conservadores.

“Boa tarde para todo mundo. Não vou fazer a piadinha que eu fiz no X, porque eu recebi algumas críticas. Algumas pessoas não entenderam quando eu brinquei lá com os gêneros todos. Não vou falar os gêneros todos aqui, se não amanhã de manhã não acabamos ainda”, disse.

 

 

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