7 de março de 2026
Politica

Plano de Ibaneis para usar imóveis e aumentar capital do BRB começou um mês antes da queda do Master

Um mês antes de o Banco Master ser liquidado pelo Banco Central (BC), o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, iniciou um plano para usar imóveis públicos e aumentar o capital do Banco de Brasília (BRB). É o que mostra um parecer da Procuradoria-Geral do Distrito Federal, obtido pela Coluna do Estadão, de outubro passado. Na ocasião, o BC havia reprovado a compra do Master pelo banco estatal. O BRB, contudo, já tinha um rombo nas contas, depois de ter comprado R$ 12,2 bilhões de créditos podres do Master, segundo a Polícia Federal (PF) e o BC.

Procurados, o governo do Distrito Federal e o BRB não responderam.

Nos últimos dias, o BRB pediu um aporte de até R$ 8,86 bilhões para reforçar seu capital após as perdas com o Master.

Em outra frente, o governador solicitou à Câmara Legislativa autorização para um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e instituições financeiras, e ofereceu nove imóveis públicos como garantia.

Até 31 de março, o BRB precisa divulgar o seu balanço e apresentar ao BC a solução para reequilibrar o seu patrimônio. Do contrário, pode receber uma espécie de “cartão amarelo” da autoridade monetária, com a aplicação de restrições ao banco, a exemplo do impedimento de abrir agências e expandir negócios, como mostrou o Estadão.

Banco BRB. Fachada de um edifício com o logotipo do banco BRB no Setor Bancário Sul em Brasília. 18 de Junho de 2021.
Banco BRB. Fachada de um edifício com o logotipo do banco BRB no Setor Bancário Sul em Brasília. 18 de Junho de 2021.

Procuradoria-Geral avaliou viabilidade jurídica do uso de imóveis para aporte no BRB

Em 20 de outubro do ano passado, a Procuradoria-Geral do Distrito Federal foi consultada pela Secretaria de Economia sobre a viabilidade jurídica do uso de imóveis do governo para fazer um aporte ao BRB.

A Procuradoria, que representa o governo distrital na Justiça, fez uma ressalva de que os imóveis públicos a serem usados para aumentar o capital do BRB deveriam ter relação com a atividade do banco estatal. O subprocurador-geral Marlon Tomazette alertou para um “abuso do poder de controle” por parte do governo, que é o acionista controlador do banco estatal.

O órgão concluiu que o uso desses prédios e terrenos públicos deveria seguir alguns passos, como autorização da Câmara Legislativa, avaliação técnica e comprovação de interesse público.

BRB comprou R$ 12,2 bilhões em créditos podres do Master

O BRB é investigado pela PF por suposta gestão temerária na tentativa de comprar o Banco Master. Segundo as investigações da corporação e do BC, o banco estatal comprou R$ 12,2 bilhões de créditos podres do Master.

Esses papéis foram trocados por outros ativos, que a nova direção do BRB ainda tenta vender para bancos no mercado financeiro. Em novembro, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo pela Justiça e depois deixou o cargo.

Além de rombo no BRB, governo do DF enfrenta falta de dinheiro em caixa

Em 2025, o governo do Distrito Federal registrou um déficit de R$ 926,5 milhões nas contas, como informou o Estadão. O resultado mostra que o Executivo gastou mais do que arrecadou e piorou as contas em relação a 2024, quando o déficit foi de R$ 644,7 milhões.

Em 2026, último ano do mandato do governador Ibaneis Rocha, o orçamento está sob pressão devido a despesas que não foram quitadas no ano passado e que disputarão espaço com os gastos deste ano.

 

 

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