Plano do governo para salvar BRB pode afetar estatais de água e iluminação pública, alerta parecer
A área técnica da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) alertou nesta segunda-feira, 2, que o plano do governo local para salvar o Banco de Brasília (BRB) do rombo do caso Master pode afetar outras duas estatais, que prestam serviços de saneamento e iluminação pública. O parecer foi apresentado pela deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) ao presidente do BRB, Nelson de Souza, que se reuniu mais cedo com os parlamentares.
Na última semana, o governador Ibaneis Rocha (MDB) pediu à CLDF aval para um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e instituições financeiras, e ofereceu nove imóveis públicos como garantia.
Esses imóveis são também da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) e da Companhia Energética de Brasília Iluminação Pública e Serviços (CEB Ipes).
“A inclusão de imóveis de múltiplas estatais amplia o risco de comprometimento patrimonial cruzado, isto é, o risco de que dificuldades financeiras do BRB contaminem a solidez de outras empresas públicas que prestam serviços essenciais à população”, afirmou a consultoria da CLDF.
Ainda de acordo com a nota técnica, a gestão Ibaneis não deu detalhes econômicos ou jurídicos desses imóveis. O documento destacou ser necessário que os deputados exijam do Executivo o impacto na prestação de serviços e na capacidade operacional da Caesb e da CEP Ipes.

Imóvel oferecido para salvar BRB vale R$ 100 milhões a menos do que disse Ibaneis
Um dos nove imóveis ofertados pelo governo para aliviar o rombo bilionário do BRB é o Centro Administrativo do Distrito Federal, área de 182 mil metros quadrados com 16 prédios idealizada para abrigar a sede do governo local e nunca ocupada. Como mostrou a Coluna do Estadão, o complexo foi avaliado em R$ 491 milhões pelo próprio Executivo, R$ 109 milhões a menos do que anunciado pelo governador em dezembro.
Plano de Ibaneis para usar imóveis em prol do BRB começou um mês antes da queda do Master
Um mês antes de o Master ser liquidado pelo Banco Central (BC), a gestão Ibaneis iniciou um plano para usar imóveis públicos e aumentar o capital do BRB, segundo um parecer da Procuradoria-Geral do Distrito Federal em outubro passado.
Na ocasião, o BC havia reprovado a compra do Master pelo banco estatal. O BRB, contudo, já tinha um rombo nas contas depois de ter comprado R$ 12,2 bilhões de créditos podres do Master.
Além da oferta de imóveis como garantia para obter um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para salvar o BRB, o banco pediu um aporte de até R$ 8,86 bilhões para reforçar seu capital após as perdas com o Master.
Até o próximo dia 31, o BRB precisa divulgar o seu balanço e apresentar ao BC a solução para reequilibrar o seu patrimônio. Caso contrário, pode receber uma espécie de “cartão amarelo” da autoridade monetária, com a aplicação de restrições ao banco, a exemplo do impedimento de abrir agências e expandir negócios.
