Presidente do BRB contradiz Ibaneis; Imóvel ofertado para salvar banco vale R$ 100 milhões a menos
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson de Souza, apresentou nesta segunda-feira, 2, à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) documentos que contradizem o governador Ibaneis Rocha (MDB). Souza afirmou que um dos imóveis ofertados para salvar o BRB, o Centro Administrativo, vale R$ 491 milhões, R$ 109 milhões a menos do que anunciado pelo governador em dezembro. O laudo técnico do governo foi revelado pela Coluna do Estadão.
O relatório da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap) foi concluído em outubro passado, após cinco dias de inspeções feitas por engenheiros da estatal. A avaliação é válida até abril deste ano. Nesse intervalo, contudo, o governador atribuiu à Terracap uma avaliação de R$ 600 milhões do imóvel, localizado em Taguatinga, a 30 quilômetros do centro de Brasília. Procurado, o governo distrital não respondeu.
O Centro Administrativo do Distrito Federal tem uma área de 182 mil metros quadrados com 16 prédios. Idealizado para abrigar a sede do governo local, o complexo nunca foi ocupado e segue envolvido em imbróglios jurídicos há mais de uma década. Este foi um dos nove imóveis oferecidos pela gestão Ibaneis como garantia para tomar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões e tentar salvar o BRB do rombo do caso Master.

Laudo aponta obras inacabadas, fissuras e infiltrações
O documento aponta diversas falhas nas construções, além de trechos inacabados de obras. A título de exemplo, o laudo cita “fissuras” 11 vezes e “infiltrações” nove vezes.
No principal prédio do complexo, construído para abrigar o gabinete do governador, falta revestimento até para o piso e há diversas infiltrações, segundo a estatal. “Várias paredes apresentam fissuras e trincas, inclusive no pilar que sustenta a escada no meio do vão”.
Já o Centro de Convenções, projetado para abrigar 2,5 mil pessoas, apresenta “diversas fissuras, infiltrações e trincas relevantes”. O complexo imobiliário ainda conta com uma capela, uma praça cívica, um prédio só para garagem e quatro edifícios de 16 andares cada.
Consultoria Legislativa alertou que plano do governo para salvar BRB pode afetar estatais de água e iluminação pública
Nesta segunda-feira, 2, a área técnica da CLDF alertou que o plano da gestão Ibaneis para salvar o BRB do rombo do caso Master pode afetar outras duas estatais, que prestam serviços de saneamento e iluminação pública: a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) e a Companhia Energética de Brasília Iluminação Pública e Serviços (CEB Ipes).
O parecer foi apresentado pela deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) ao presidente do BRB, Nelson de Souza, que se reuniu mais cedo com os parlamentares.
BRB enfrenta rombo após caso Master
O banco estatal tenta se recuperar de um rombo bilionário após ter comprado R$ 12,2 bilhões de créditos podres do Master, segundo a Polícia Federal e o Banco Central (BC). Em outra frente, o BRB pediu um aporte de até R$ 8,86 bilhões para reforçar seu capital após as perdas com o Master.
Plano de Ibaneis para usar imóveis em prol do BRB começou um mês antes da queda do Master
Um mês antes de o Master ser liquidado, a gestão Ibaneis iniciou um plano para usar imóveis públicos e aumentar o capital do BRB, segundo um parecer da Procuradoria-Geral do Distrito Federal em outubro passado.
Na ocasião, o BC havia reprovado a compra do Master pelo banco estatal. O BRB, contudo, já tinha um rombo nas contas depois de ter comprado R$ 12,2 bilhões de créditos podres do Master.
Além da oferta de imóveis como garantia para obter um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para salvar o BRB, o banco pediu um aporte de até R$ 8,86 bilhões para reforçar seu capital após as perdas com o Master.
Até o próximo dia 31, o BRB precisa divulgar o seu balanço e apresentar ao BC a solução para reequilibrar o seu patrimônio. Caso contrário, pode receber uma espécie de “cartão amarelo” da autoridade monetária, com a aplicação de restrições ao banco, a exemplo do impedimento de abrir agências e expandir negócios.
