4 de março de 2026
Politica

Alcolumbre não pretende autorizar prorrogação da CPI do INSS, mas quer ‘reconhecimento’ do governo

BRASÍLIA – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), disse a interlocutores que não vai autorizar a prorrogação da CPI do INSS, mesmo depois de ter mantido a quebra de sigilos bancário e fiscal do empresário Fábio Luís, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em conversas reservadas, Alcolumbre observou que o máximo a ser concedido é um prazo de dez dias para a comissão parlamentar de inquérito terminar o seu relatório sobre as fraudes no pagamento das aposentadorias.

A CPI do INSS virou o principal campo de batalha entre o governo e a oposição neste ano eleitoral, com grande potencial de estragos para a candidatura de Lula a novo mandato. Além de conseguir sinal verde para investigar Lulinha, adversários do Palácio do Planalto também tentam colar o escândalo do Banco Master no colo do presidente. O dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso novamente nesta quarta-feira, 4, pela Polícia Federal.

O prazo para o encerramento da CPI do INSS é o próximo dia 28, mas o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), está pedindo a prorrogação dos trabalhos. Parlamentares ameaçam até mesmo recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para conseguir estender a CPI.

Lula e Alcolumbre: crise de relacionamento
Lula e Alcolumbre: crise de relacionamento

“Eu sou contra ficarmos recorrendo ao Supremo, mas pode ser que não tenhamos outra alternativa”, afirmou Viana. “Pela lei, nós temos o direito de que a CPI permaneça por pelo menos mais 60 dias”.

Alcolumbre tem escancarado sua insatisfação com o governo desde que Lula decidiu indicar o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para ocupar uma cadeira no STF. O presidente do Senado defendia para a vaga o nome de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e avalia que Lula ignorou esse pleito sem reconhecer os movimentos feitos por ele para “ajudar” o Planalto.

Aliados de Alcolumbre citam, por exemplo, que a indicação do ministro Flávio Dino ao STF não teria sido aprovada no Senado, em dezembro de 2023, não fosse a atuação “pessoal” dele.

Até hoje, Alcolumbre não deu sinais de quando pretende marcar a sabatina de Messias e, por isso, Lula ainda não enviou sua indicação ao STF para a Casa legislativa.

Lula quer que Pacheco seja candidato ao governo de Minas Gerais e não voltará atrás na escolha de Messias. Diante da crise, no entanto, líderes do governo no Congresso procuram não confrontar Alcolumbre, tanto que não vão recorrer de sua decisão de manter a quebra de sigilo de Lulinha.

Na prática, o sigilo do filho do presidente já havia sido quebrado pelo ministro do STF André Mendonça, a pedido da Polícia Federal, mas o governo avalia que o prejuízo é sempre maior numa CPI, classificada como “palanque eleitoral”.

 

 

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