9 de março de 2026
Politica

MP Militar cita ‘soldado que passa mão nas colegas’ e alerta para 9 tipos de assédio na caserna

O Ministério Público Militar (MPM) citou nove exemplos reais de assédio sexual e moral, e afirmou que “esses crimes são levados muito a sério no ambiente militar”, ao orientar as mulheres que entraram nesta semana nas Forças Armadas. Esta geração é a primeira turma do alistamento feminino voluntário da história do País.

Um documento feito pelo órgão traz dez exemplos concretos de casos de assédio sexual e moral, entre outros crimes investigados pelo Ministério Público Militar. Não há referências a vítimas ou detalhes sigilosos dos episódios. Veja a lista:

  1. Assédio sexual: “Sargento pressiona recruta com elogios insistentes e convites para encontros após o expediente”;
  2. Importunação sexual: “Soldado que passa a mão nas colegas”;
  3. Fake nudes com IA: “Soldado gera imagens falsas de colega e espalha em grupos do aplicativo e nas redes sociais”;
  4. Compartilhamento de nudes ou fake nudes: “Recruta tem foto com roupa manipulada para parecer sem roupa divulgada em grupo de mensagens”;
  5. Assédio moral: “Recruta é chamada de ‘inútil’ e ‘peso morto’ pelo seu superior, mesmo cumprindo suas funções corretamente; 
  6. Assédio moral: “Soldado é isolada do grupo e tratada sempre com gritos e xingamentos”;
  7. Bullying: “Recruta cria apelidos ofensivos para colegas e os repetem para outras pessoas escutarem”;
  8. Bullying: “Grupos que excluem uma colega das atividades e a ignoram propositalmente”; 
  9. Cyberbullying: “Grupo de soldados cria perfil falso no Instagram para zombar de uma recruta, usando montagens e frases ofensivas”.
Primeira turma do alistamento feminino voluntário da história do País
Primeira turma do alistamento feminino voluntário da história do País

‘Documente cada conduta do assediador’, orienta cartilha

“Documente cada conduta do assediador, anotando todos os detalhes, como a data, local e horário dos fatos. Guarde todo o material”, afirma outra cartilha do MPM, intitulada “Assédio na Caserna: dizer ‘não’ não é insubordinação!”.

O documento ainda ressalta que casos de assédio moral “não são brincadeiras nem parte da rotina militar”: “São abusos que ferem a dignidade da pessoa e podem ser denunciados”. Para incluir as mulheres na defesa nacional, é necessário que as Forças Armadas tenham “igualdade e respeito em toda a tropa”, de acordo com o Ministério Público Militar.

1.467 mulheres atuarão nas Forças em 13 estados e no Distrito Federal

As 1.467 selecionadas entrarão nas Forças nas hierarquias iniciais: como soldados, no Exército e Aeronáutica, e como marinheiros-recrutas na Marinha, feito inédito. Cerca de 70% vão atuar no Exército, 20% na Aeronáutica e 10% na Marinha.

As militares trabalharão em 51 cidades em 13 Estados e no Distrito Federal. Como mostrou a Coluna do Estadão, o Exército estimou um gasto de R$ 48 milhões com as obras para adequar suas instalações para a chegada das mulheres, a exemplo de banheiros e hospedarias. Todas as 45 unidades da Força que receberão as soldados foram reformadas.

Até o mês passado, havia cerca de 37 mil mulheres militares no Brasil, o equivalente a 10% do efetivo total. Elas ocupam cargos específicos nas Forças, especialmente em saúde, logística e ensino, de modo temporário ou permanente.

Esse grupo, contudo, ainda não participava do alistamento geral voluntário no começo da carreira, aos 18 anos. Para os homens, o alistamento é obrigatório.

 

 

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