PF diz que Vorcaro ordenou invasão ao sistema do Ministério Público e monitoramento de adversários
BRASÍLIA – A nova prisão do banqueiro Daniel Vorcaro foi decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça depois que investigadores da Polícia Federal detectaram indícios que o dono do Banco Master ordenou a invasão aos sistemas de informática do Ministério Público Federal para obter cópia de documentos sigilosos de investigações contra ele, o monitoramento de adversários e até mesmo ações violentas contra esses adversários.
Essas informações foram encontradas em diálogos do celular dele, apreendido em novembro na primeira fase da Operação Compliance Zero.
“De acordo com a autoridade policial, o investigado teria obtido acesso indevido aos sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal, e até mesmo de organismos internacionais, tais como FBI e Interpol”, escreveu Mendonça na decisão.

Por isso, entre os crimes em apuração nessa terceira fase da Operação Compliance Zero está o de invasão de dispositivos informáticos.
A PF também colheu indícios de que Vorcaro determinou o “monitoramento” de adversários, por meio de um policial aposentado e um outro aliado, que foram alvos de prisão na operação. As conversas ainda apontaram que o banqueiro encomendava retaliações contra esses adversários, dentre eles jornalistas que publicavam informações desfavoráveis ao banqueiro. Os diálogos citavam inclusive a realização de ações violentas contra eles, o que foi enquadrado como suspeita do crime de ameaça.
Um dos alvos seria o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Na mensagem, Vorcaro afimou: “Esse lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”.
Como antecipou o Estadão, a PF encontrou documentos sigilosos de investigações no celular dele e passou a apurar a contratação de hackers ou outra forma de invasão dos sistemas do Ministério Público.
Os investigadores ainda consideram que Vorcaro mentiu sobre o assunto. Em seu depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) prestado no dia 30 de dezembro, ele foi questionado pela PF se tinha obtido acesso a investigações sigilosas. Na ocasião, a resposta de Vorcaro foi negativa.
Com esses novos elementos, a PF argumentou ao Supremo que a liberdade de Vorcaro poderia resultar em riscos para as investigações em curso, já que ele teria o poder de invadir dispositivos de informática e ter acesso a informações sigilosas.
