9 de março de 2026
Politica

Pressão política por corte de juros no meio da guerra pode atrapalhar trabalho do BC

Economistas e políticos ligados ao PT começaram a dar palpite em fóruns de conversa e papos de bastidor sobre o que o Banco Central deve fazer com a taxa de juros diante da guerra no Irã.

O argumento desses integrantes do partido – que acabam chegando aos ouvidos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – é que o BC não pode se “acovardar” e reduzir o ritmo de queda da taxa Selic.

As críticas são de que o BC teria demorado para iniciar o corte de juros – o que boa parte do mercado discorda – e que agora vai usar a guerra como “desculpa” para ir mais devagar ou desistir.

Lula está preocupado com a reeleição e a queda dos juros é importante para manter o crescimento da economia. Os dados mais recentes ascenderam o sinal de alerta.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central

Em 2025, o PIB cresceu 2,3% em 2025, mas ficou estagnado no segundo semestre por conta do esforço da política monetária de conter a inflação.

Só que faltam 15 dias para a próxima reunião do Copom, que acontece nem 17 e 18 de março. E, num cenário tão imprevisível, esse tempo é uma eternidade. O mercado está cauteloso e, ao invés de uma queda de 0,5 ponto de Selic, começa a apontar para corte de 0,25. A taxa está em 15%.

Nem Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, sabe ainda o tamanho do problema em que se meteu. Trump aproveitou que os EUA se tornaram um exportador líquido de petróleo para tentar derrubar o regime dos aiatolás.

O petróleo está acima de US$ 80 o barril, mas chegou a bater US$ 100 quando a Rússia invadiu a Ucrânia em março de 2022, um cenário geopolítico menos complicado do que ocorre agora se não existisse uma sobreoferta de óleo no mundo.

Mas o que pode acontecer se o estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo global, ficar fechado muito tempo? Não é à toa que Trump está prometendo escolta armada para os navios circularem por lá.

A Petrobras ainda analisa a situação e tem reunião do conselho nesta semana. A estatal precisa pesar a influência do petróleo, do câmbio e pode estar sujeita a ingerência política – é sempre uma possibilidade.

Diante disso, o Banco Central está calado. Em seu último comunicado, a autoridade monetária prometeu um corte de juros, mesmo com um mercado de trabalho ainda aquecido.

Aconselha-se que os economistas e políticos do PT fiquem calados também. Sob o comando de Gabriel Galípolo, o BC já demonstrou várias vezes sua independência. Qualquer pressão política neste momento vai ricochetear e pode ter efeito contrário ao que eles esperam.

 

 

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