5 de março de 2026
Politica

‘Balcão de negócios’ de R$ 33 milhões: o que o Gaeco descobriu sobre a corrupção na Polícia de SP

Destruição de provas, fraude processual e manipulação de investigações em quatro delegacias e uma divisão da Polícia Civil de São Paulo não ocorreriam sem um alto volume de transações financeiras suspeitas, segundo promotores do Gaeco que conduziram a Operação Bazaar nesta quinta, 5 – investigadores, doleiros, advogados e um delegado foram presos. Para o Ministério Público estadual, seis policiais alvos da operação transformaram as unidades policiais em um verdadeiro ‘balcão de negócios’, que teria movimentado, ao menos, R$ 33 milhões em propinas.

O Estadão busca contato com a defesa de todos os investigados. O espaço está aberto.

Os indícios da dimensão financeira do esquema foram encontrados preliminarmente nos diálogos entre o advogado Guilherme Sacomano Nasser e o empresário Cleber Azevedo dos Santos, apontado como um dos líderes do esquema.

Nesta quinta, 5, a Operação Bazaar cumpriu 25 mandados de busca e apreensão, incluindo unidades policiais, além de 11 mandados de prisão e seis mandados de intimação
Nesta quinta, 5, a Operação Bazaar cumpriu 25 mandados de busca e apreensão, incluindo unidades policiais, além de 11 mandados de prisão e seis mandados de intimação

‘Delegado parceiraço meu, tá?

‘Clebinhô, beleza? Clebinho, chegou essa intimação lá na ‘mercado jovem’, na verdade, chegou no endereço deles, mas é referente àquela questão da BLZ. Eu fui até a delegacia, tá? É referente a uma transferência de trinta e três milhões para a SPICY, que foi feita da BLZ para lá. Chegou em nome do “MONACA” também. Ali naquela delegacia o delegado é ‘parceiraço’ meu, tá? Você quer que eu faça alguma coisa lá? Tô…Vou aguardar a orientação tua, tá bom?”, disse o advogado em áudio no WhatsApp.

Cleber Azevedo foi preso nesta quinta, 5. Ele é suspeito de comandar, junto a Leonardo Meirelles e Paulo Rogério Silva, o Paulo Barão, o esquema desmantelado pelo Gaeco e pela Corregedoria da corporação.

O advogado Guilherme Nasser, que intermediava o contato dos líderes do esquema com os policiais, segundo a Promotoria, foi alvo de medidas cautelares diversas da prisão e teve seus bens bloqueados pela Justiça.

Suspeitos promoviam o pagamento sistemático de vantagens indevidas a agentes públicos, além de adotar estratégias de fraude processual, manipulação de procedimentos investigativos e destruição de provas no âmbito de inquéritos policiais
Suspeitos promoviam o pagamento sistemático de vantagens indevidas a agentes públicos, além de adotar estratégias de fraude processual, manipulação de procedimentos investigativos e destruição de provas no âmbito de inquéritos policiais
Suspeitos promoviam o pagamento sistemático de vantagens indevidas a agentes públicos, além de adotar estratégias de fraude processual, manipulação de procedimentos investigativos e destruição de provas no âmbito de inquéritos policiais
Suspeitos promoviam o pagamento sistemático de vantagens indevidas a agentes públicos, além de adotar estratégias de fraude processual, manipulação de procedimentos investigativos e destruição de provas no âmbito de inquéritos policiais
Suspeitos promoviam o pagamento sistemático de vantagens indevidas a agentes públicos, além de adotar estratégias de fraude processual, manipulação de procedimentos investigativos e destruição de provas no âmbito de inquéritos policiais
Suspeitos promoviam o pagamento sistemático de vantagens indevidas a agentes públicos, além de adotar estratégias de fraude processual, manipulação de procedimentos investigativos e destruição de provas no âmbito de inquéritos policiais
Suspeitos promoviam o pagamento sistemático de vantagens indevidas a agentes públicos, além de adotar estratégias de fraude processual, manipulação de procedimentos investigativos e destruição de provas no âmbito de inquéritos policiais
Suspeitos promoviam o pagamento sistemático de vantagens indevidas a agentes públicos, além de adotar estratégias de fraude processual, manipulação de procedimentos investigativos e destruição de provas no âmbito de inquéritos policiais
Suspeitos promoviam o pagamento sistemático de vantagens indevidas a agentes públicos, além de adotar estratégias de fraude processual, manipulação de procedimentos investigativos e destruição de provas no âmbito de inquéritos policiais
Suspeitos promoviam o pagamento sistemático de vantagens indevidas a agentes públicos, além de adotar estratégias de fraude processual, manipulação de procedimentos investigativos e destruição de provas no âmbito de inquéritos policiais

Segundo o Gaeco – braço do Ministério Público que persegue o crime organizado – os inquéritos que foram transformados em “balcões de negócios” e objeto de ofertas e solicitações de vantagens indevida compõe uma ‘epidemia’ de Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) na Polícia Civil de São Paulo, que são engavetados em série mediante propina a delegados, escrivães e investigadores.

Para a Corregedoria da Polícia, que atuou na operação ao lado da Polícia Federal e do Gaeco, as diligências desta manhã “batem no coração do uso criminoso dos RIFs”.

Não há suspeitas sobre envolvimento de analistas do COAF com o esquema. Mas investigadores verificaram que os documentos do órgão de controle financeiro se tornaram ‘uma torneira aberta’ para a corrupção na Polícia paulista.

‘Ah, é setecentos pau’; ‘Dá cenzinha pros cara…mata na raiz’

Alvos da Operação Bazaar e presos preventivamente nesta quinta, 5, o delegado do 35º DP, João Eduardo da Silva, e o escrivão Ciro Borges Magalhães Ferraz teriam recebido ao menos R$ 100 mil do advogado Guilherme Nasser para frear investigações sobre empresas, além de apurações envolvendo Robson Martins de Souza, Cleber Azevedo dos Santos, “Paulo Barão”, e Leonardo Meirelles – todos apontados como lideranças do esquema.

Delegado João Eduardo da Silva foi um dos 11 presos na Operação Bazaar, deflagrada nesta quinta, 5
Delegado João Eduardo da Silva foi um dos 11 presos na Operação Bazaar, deflagrada nesta quinta, 5

“Clebinho, esses caras dão aula comigo. Então comigo eles não achacam, entendeu? Comigo é na real, então tira já na base, ranca na raiz, entendeu? Dá um troquinho lá pros cara, tira aí cinquentinha do rodrigo, cinquentinha teu, aí dá cenzinha pros cara e acabou… mata na raíz! Porque não tem inquérito, não tem nada… e eu acho que isso aí eu vi o RIF dos cara lá e alguma coisa tem, entendeu!? Então se os caras quiserem pentelhar, vão encher o saco. Então, quando eu conversei com o escrivão, o escrivão falou também “ah é setecentos pau’ … falei “cara, sai fora” e aí eu baixei pra um valor pequeno, entendeu? E foi um cenzão lá e aí ele falou “cara, beleza, porque é pra você!. É que eu conheço os caras lá, entendeu? O delegado, na verdade, é o doutor João, então, assim, cara, eu vou tentar conversar com eles lá, vou tentar dar uma matada nisto daí, tá?”, enviou Guilherme.

Segundo a investigação, o advogado afirmou que “o delegado do caso se chamava João e que ‘os caras’ (policiais) dão aula com ele e o conhecem bem, motivo pelo qual “não se criam” para cima dele, o que lhe permitiria solucionar a questão com maior facilidade”.

“No decorrer da conversa, Cléber menciona que, naquela mesma delegacia, já haviam solicitado o pagamento de R$ 700 mil, referência que situa o episódio dentro do padrão de corrupção e interferência identificado ao longo das comunicações analisadas”, arremata a promotoria.

Segundo a análise dos telefones apreendidos com os alvos da operação “Recidere”, a evasão de divisas apurada pela Justiça Federal era apenas um dos ramos de atuação criminosa dos investigados. “Em verdade, parte considerável da atuação dos investigados consistia em operacionalizar a lavagem de capitais mediante a criação de empresas de fachada, bem como valendo-se de compra e venda de créditos de tickets de alimentação”, afirmam os promotores.

Foi durante a investigação desses crimes, que se descobriu o amplo esquema de corrupção que garantiria a impunidade dos doleiros. “Integrantes daquela organização criminosa eram alvos constantes de outras investigações e operações policiais, em sua maioria realizadas pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, destacando-se, dentre elas, a Operação Fractal, deflagrada em diversas fases e contando inclusive com apoio da Receita Federal”, relatam os promotores.

Nesta quinta, 5, a Operação Bazaar cumpriu 25 mandados de busca e apreensão, incluindo unidades policiais, além de 11 mandados de prisão e seis mandados de intimação relativos a medidas cautelares diversas da prisão, direcionados a integrantes da organização criminosa, advogados e policiais civis.

 

 

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