6 de março de 2026
Politica

Pré-candidato ao TCU, Danilo Forte anuncia desfiliação do União Brasil por ‘jogo de enrolação’

BRASÍLIA – O deputado federal Danilo Forte (CE) anunciou sua desfiliação do União Brasil nesta quinta-feira, 5, e criticou o que chamou de “jogo de postergação da presidência do partido” para escolher a candidatura da bancada à vaga no Tribunal de Contas da União (TCU). As declarações ocorreram após uma reunião do parlamentar com o presidente da legenda, Antonio Rueda, em Brasília.

Na ocasião, Forte afirmou que aguardava desde o ano passado um cronograma para que o partido definisse qual candidato lançaria ao TCU. O ex-líder da bancada na Câmara, Elmar Nascimento (BA), também pleiteia a vaga. Segundo Forte, o partido adiou o anúncio para fevereiro, mas a definição não ocorreu.

O deputado federal Danilo Forte (CE) anunciou sua desfiliação do União Brasil.
O deputado federal Danilo Forte (CE) anunciou sua desfiliação do União Brasil.

“Quem me conhece sabe do meu perfil. Eu não faço lambança, eu não sou do jogo da enrolação. Eu sou do jogo da proposição, da ação concreta e do compromisso com a responsabilidade”, afirmou Forte em uma entrevista coletiva.

O deputado continuou: “Então, se o partido fez um cronograma, se eu tive a paciência de esperar a execução orçamentária, se por diversas vezes tive reuniões com o líder do partido, e o partido mesmo assim não conseguiu ter uma definição clara, não cabe a mim de novo continuar nesse jogo de enrolação”.

Forte então assinou, diante da imprensa, o documento com o pedido de desfiliação. “Deixei muito claro, inclusive numa reunião que tive hoje à tarde com o presidente do partido, Antonio Rueda, o meu desligamento do União Brasil”, disse.

O parlamentar afirmou que mantém a candidatura ao TCU. Sobre uma eventual nova filiação partidária, disse ter recebido convites, mas ainda não tomou uma decisão. A desfiliação ocorre no primeiro dia da janela partidária, período entre 5 de março e 3 de abril no qual deputados podem trocar de partido sem perder o mandato.

A vaga no TCU à qual Forte se refere foi aberta após a saída do ministro Aroldo Cedraz da Corte, em 26 de fevereiro. Cabe à Câmara dos Deputados indicar o substituto. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), ainda não agendou a data da eleição. A votação será secreta.

Deputados federais receberam nos últimos dias pelo WhatsApp vídeo e dossiê que defendem o nome de Forte para o TCU. O deputado diz não ser autor dos materiais. O material também cita articulação de Motta para emplacar o petista Odair Cunha (MG).

O apoio à candidatura de Odair a uma vaga na Corte fez parte de um acordo costurado com o PT ainda em 2024 como contrapartida ao respaldo do partido a Motta nas eleições à presidência da Câmara.

O presidente da Câmara tem mantido esse compromisso, mas outros partidos também lançaram candidatos: o PL indicou o deputado Hélio Lopes (RJ), enquanto o PSD lançou o deputado Hugo Leal (RJ).

Com Forte e Nascimento, até o momento, cinco nomes disputam a indicação da Câmara para o TCU, em uma disputa que tende a refletir a polarização entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do presidente Lula (PT).

Advogado, Forte foi presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) entre 2007 e março de 2010. Atualmente, está em seu quarto mandato como deputado federal pelo Ceará.

Hélio Lopes formaliza candidatura

Também nesta quinta-feira, Helio Lopes anunciou a formalização de sua candidatura à vaga no TCU. O parlamentar informou que protocolou o pedido na Câmara dos Deputados e afirmou ter cumprido todos os requisitos regimentais previstos para o processo de escolha.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, Lopes afirmou que sua candidatura já conta com o apoio de mais de 80 deputados. Segundo ele, também há respaldo da Minoria, da Oposição e da liderança do PL.

O parlamentar já havia sinalizado, no mês passado, a intenção de disputar a vaga. Na ocasião, afirmou que conversou com Bolsonaro e outras lideranças nacionais antes de tomar a decisão.

Lopes usou o codinome “Hélio Bolsonaro” durante a campanha eleitoral de 2018 e é aliado de longa data do ex-presidente.

União vai ter debandada de parlamentares

O União Brasil, presidido por Antonio Rueda, já registrou duas desfiliações antes da abertura da janela partidária, mas também ganhou um deputado, ficando com saldo positivo de um parlamentar.

Além da saída de Forte, oficializada nesta quinta-feira, o partido deve sofrer pelo menos 20 baixas durante a janela partidária, entre deputados e senadores insatisfeitos com o comando de Rueda, como antecipou a Coluna do Estadão.

A janela partidária é o período de trinta dias em que parlamentares podem trocar de partido sem risco de perda do mandato por infidelidade partidária.

Pela regra da Justiça Eleitoral, o mandato de deputados federais, estaduais, distritais e vereadores pertence ao partido político, e não ao parlamentar eleito. Por isso, para mudar de legenda fora da janela sem perder o mandato, é necessário apresentar justa causa para a desfiliação.

 

 

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