7 de março de 2026
Politica

Vorcaro tinha cópia de processo que mandou investigar se Tanure é verdadeiro dono do Master

BRASÍLIA – A Polícia Federal encontrou, ao extrair dados do celular do empresário Daniel Vorcaro, cópia de procedimento do Ministério Público Federal (MPF) aberto para apurar denúncia de que o empresário Nelson Tanure seria o verdadeiro dono do Banco Master.

Vorcaro tinha relação de proximidade com Tanure. Na documentação parcial da investigação entregue à CPI do INSS, há registros de conversas entre ambos nas quais o banqueiro chama Tanure de “comandante” e agradece por um relógio de luxo.

Em nota divulgada na quinta-feira, 5, Tanure afirmou que “nunca foi sócio, controlador ou beneficiário, direto ou indireto, do Banco Master, tendo mantido com a instituição apenas relações comerciais legítimas, como cliente e investidor, nos mesmos moldes em que opera com diversas outras instituições financeiras”.

Procurada novamente nesta sexta, a assessoria dele reiterou o posicionamento anterior.

O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao deixar o Centro de Detenção Provisória, em Guarulhos, em 29 de novembro de 2025; ele foi preso novamente em 4 de março de 2026
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao deixar o Centro de Detenção Provisória, em Guarulhos, em 29 de novembro de 2025; ele foi preso novamente em 4 de março de 2026

No celular foram encontrados cópias do andamento de dois procedimentos abertos partir de denúncias apresentadas pelo Fundo Esh Theta Master, acionista da Gafisa, empresa controlada por Tanure.

O Esh disse que encontrou indícios de crimes, em meados de de 2023, após “examinar minuciosamente as empresas em que investe”.

O primeiro procedimento foi aberto no MPF para dar encaminhamento à denúncia de supostos crimes da Gafisa contra o mercado de capitais e contra o sistema financeiro em conluio com executivos do Banco Master e da corretora Planner Trustee.

O segundo está relacionado a uma denúncia do mesmo Fundo que alega que o controle do Master, na prática, é feito por uma holding interligada a outras empresas que possuem vínculos diretos com Nelson Tanure e seus familiares.

“Sustenta, em síntese, que houve irregularidade envolvendo o fundo ESTOCOLMO e a BANVOX HOLDING LTDA, com indicativo de que NELSON SEQUEIROS RODRIGUEZ TANURE é o controlador de fato do BANCO MASTER.”, diz um memorial do MPF.

O ESH pediu a instauração de inquéritos e, depois, para que eles tramitassem de forma unificada. Em janeiro de 2024, o MPF em São Paulo entendeu que, apesar de os atores se repetirem nas duas denúncias, elas envolveriam “condutas distintas” e deveriam correr separadamente.

O MPF entendeu haver indícios dos crimes de gestão temerária e indução a erro de investidores e determinou a instauração de inquérito policial.

Em abril de 2024, a Polícia Federal informou, no processo, que já havia uma investigação aberta para apurar os fatos apontados. O MPF, então, explicou que o inquérito em curso dizia respeito a investigação de crimes contra o sistema financeiro, e não sobre o suposto controle oculto do Master.

Em 3 de junho de 2024, o órgão ministerial fez nova requisição de abertura de inquérito.

A cópia no celular de Vorcaro tinha informações até este último andamento.

A denúncia que o MPF considerou suficiente para pedir a abertura de inquérito dizia que o controle do Master por Tanure ocorreria de forma indireta e oculta, utilizando uma estrutura de empresas e fundos de investimento para disfarçar a posição dele como real controlador.

A suspeita é a de que Tanure teria utilizado a empresa Aventti para subscrever cotas do Fundo Estocolmo. O Estocolmo, por sua vez, teria usado recursos aportados pela Aventti para adquirir debêntures (papéis que equivalem a dívidas de uma empresa e tornam seu portador credor dessa companhia) emitidas pela Banvox Holding Financeira S/A.

Com o dinheiro recebido pela venda dessas debêntures ao Fundo Estocolmo, a Banvox destinaria os recursos para a integralização do capital social do Banco Master.

Nelson Tanure e Vladimir Timerman, sócio da Esh Capital, autor das denúncias levadas ao MPF, têm disputas públicas e na Justiça há anos. Os embates acontecem ao menos desde 2022, relacionados a investimentos na Alliar (hoje Aliança Saúde), na construtora Gafisa e no Master.

O Esh acusa Tanure em diferentes instâncias de manipulação de mercado e ocultação de participação acionária. Tanure, por sua vez, conseguiu bloquear ações da Esh na Gafisa e com que Timerman fosse condenado por perseguição.

 

 

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