9 de março de 2026
Politica

STJ pressiona Buzzi por aposentadoria para estancar crise, mas ministro resiste

BRASÍLIA – Integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) pressionam o ministro Marco Buzzi, acusado por duas mulheres de cometer crimes sexuais, para que antecipe a sua aposentadoria como forma de estancar a crise que tem desgastado a imagem da Corte. O magistrado, no entanto, se recusa a adotar essa estratégia. Em nota, a defesa insiste que conseguirá comprovar a inocência do ministro.

O Estadão ouviu de ministros e seus interlocutores que duas mensagens têm sido enviadas a Buzzi para que se convença. A primeira delas deixa claro que o ministro tende a ser condenado no Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que enfrentará, o que implicaria em ser penalizado com a aposentadoria compulsória, que reduz os seus vencimentos proporcionalmente até a data da sanção. Para a magistratura, essa pena tem um simbolismo drástico.

Ministro Marco Buzzi, do STJ, alvo de apurações no tribunal por supostos crimes sexuais
Ministro Marco Buzzi, do STJ, alvo de apurações no tribunal por supostos crimes sexuais

Para além do argumento do PAD, os ministros têm dito ao colega que o pedido de aposentadoria poderia ajudá-lo na esfera criminal. Buzzi é alvo de um inquérito sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, no Supremo Tribunal Federal (STF). Caso se aposente antes, a investigação poderia ser transferida para a primeira instância.

A punição mais grave que um magistrado pode sofrer é a demissão, mas ela é raramente aplicada pelo Judiciário porque depende de condenação criminal transitada em julgado. Com o caso no STF, uma eventual condenação seria mais rápida e não teria margem para muitos recursos e protelações. Nesse cenário, Buzzi poderia ser preso e ainda perder completamente os vencimentos e benefícios aos quais teria direito como aposentado do STJ.

A despeito dos conselhos do colega, Buzzi se recusa a deixar o tribunal e pretende litigar em todas as frentes com o objetivo de provar a sua inocência.

Em nota enviada ao Estadão, os advogados do ministro afirmaram que ele “não irá pedir a aposentadoria” porque “não acredita que o processo administrativo contra ele será instaurado, até porque, na defesa prévia ora apresentada, há robustas e suficientes provas e esclarecimentos de que não cometeu nenhum ato impróprio”.

O Estadão apurou, contudo, que a tendência é o STJ instaurar no próximo dia 14 de abril o PAD para investigar a fundo as denúncias que pesam contra Buzzi. A análise estava marcada inicialmente para o dia 10 de março, mas foi adiada pela Corte. Ele é acusado por uma jovem de 18 anos de tê-la assediado com falas e toques impróprios durante uma viagem com os seus pais ao litoral de Santa Catarina. A segunda denunciante é uma mulher que trabalhou no gabinete do ministro no STJ.

“Ainda assim, em caso de abertura de procedimento, o ministro irá se defender para mostrar que não cometeu nenhuma ilegalidade”, diz a nota da defesa do ministro.

 

 

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