11 de março de 2026
Politica

Explicações de esposa de Moraes não convencem advocacia, é hora de o ministro falar

Avesso a críticas, o ministro Alexandre de Moraes vem buscando se desvencilhar das suspeitas de relações indevidas com o banqueiro Daniel Vorcaro – até agora sem sucesso.

A mais nova tentativa é a nota de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, que confirmou o contrato milionário com o Banco Master e deu alguns detalhes dos serviços prestados.

Ela diz ter produzido 36 pareceres e realizado 94 reuniões de trabalho durante dez meses. O contrato rendia R$ 3,6 milhões ao mês – ou seja, provavelmente, chegou a um total de R$ 36 milhões pagos.

O ministro Alexandre de Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci; o escritório dela firmou contrato com o Banco Master
O ministro Alexandre de Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci; o escritório dela firmou contrato com o Banco Master

Serviços advocatícios são particulares e é muito difícil uma conclusão empírica. Até por isso, assim como publicidade, são muito utilizados nos crimes de lavagem de dinheiro – sem qualquer juízo de valor sobre o contrato da esposa do ministro, apenas como experiência histórica.

A coluna consultou cinco dos advogados mais renomados do País para que eles observassem as explicações prestadas e comparassem com a sua vivência. Todos foram unânimes em afirmar, sob reserva, que as condições do contrato, não fazem muito sentido. E que nunca viram algo assim.

A hora trabalhada em um escritório de ponta varia entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. Na nota explicativa, a esposa do ministro diz ter feito 94 reuniões de trabalho: 79 reuniões de três horas, 14 reuniões de duas horas. Calculando pela hora mais cara, chegamos a R$ 1,325 milhão.

Os pareceres são mais complicados de calcular. É possível avaliar pela hora trabalhada, mas não há detalhamento, ou pelo valor unitário. Um parecer técnico custa cerca de R$ 50 mil. Se são 36 pareceres, nos levaria a R$ 1,8 milhão. Porém, há pareceres caríssimos.

Um advogado disse à coluna que o mais custoso que já viu chegava a R$ 500 mil, mas dizia respeito a uma causa bilionária. Haveria algum desse tipo?

Também há outras complicações: o Master tinha outros advogados atuando em contenciosos, mas contratava a doutora Viviane Barci para elaborar estratégias. Não produziu inquéritos, petições, juntou procuração, mas fez a estratégia. Poderia estar, portanto, em praticamente qualquer caso do banco.

De toda maneira, para chegar em R$ 36 milhões, é um caminho e tanto.

O problema maior é que não é só a nota sobre o contrato que deixa dúvidas.

Moraes também negou que o telefone que conversava com o banqueiro no dia de sua prisão seja dele, embora o Globo garanta que tenha checado o número. Saiu-se com uma justificativa complicada sobre relação entre contatos e caixas, refutadas por peritos criminais em todos os jornais.

No Supremo Tribunal Federal, o clima é de preocupação de que um dos ministros mais importantes da Corte, símbolo da defesa da democracia no 8 de Janeiro, tenha se envolvido com as pessoas erradas.

Durante muito tempo, Moraes se escorou na justificativa de que todo ataque a ele era um ataque ao Supremo. E muitas vezes sua figura foi utilizada pela direita como luta política. Neste episódio, esse ingrediente não está presente.

Cresce a percepção de que ele precisa se acostumar com as cobranças e vir a público se explicar sem rodeios. Ou preservar o Supremo.

 

 

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