11 de março de 2026
Politica

Flávio muda de opinião que teve na CPI da Lava Toga e assina impeachment contra Moraes e Toffoli

BRASÍLIA – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mudou a posição que adotou há quase sete anos e agora decidiu apoiar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio assinou o requerimento, porém, depois de já ter o número mínimo de 27 assinaturas no Senado para o protocolo.

Em 2019, o senador, que estava no PSL, foi escalado pelo então presidente da sigla, Luciano Bivar (PE), para barrar a criação da CPI. Ele acabou sendo o articulador desse movimento e foi o único dos senadores do partido que não assinou o requerimento.

Em 2019, Flávio tentou aproximação com Dias Toffoli e Gilmar Mendes
Em 2019, Flávio tentou aproximação com Dias Toffoli e Gilmar Mendes

Aquela CPI, de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), mirava no chamado “ativismo judicial” de magistrados, incluindo ministros do STF. Vieira é o mesmo autor da CPI que hoje quer apurar irregularidades dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

“Assinei hoje mais uma CPI para investigar as condutas dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Antes dessa, já havia assinado o pedido de CPI do Banco Master, além de pedidos de impeachment de outros ministros e vou assinar qualquer outro pedido que vise investigar suspeitas de crimes ou irregularidades”, disse Flávio nesta segunda-feira, 9.

Flávio também disse que quer que a CPI investigue o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. “O escândalo do Banco Master ocorreu debaixo do nariz deles, com fortes suspeitas de atuação para que as fraudes ocorressem. Toda e qualquer suspeita tem que ser investigada, não importa contra quem seja”, afirmou.

O senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi o 29.º signatário do pedido de impeachment, logo depois de Vieira anunciar que tinha o número mínimo de 27 assinaturas para o protocolo. Até agora, o requerimento tem 32 assinaturas.

Em 2019, Flávio entrou no jogo para aparar arestas com o Supremo. Ele iniciou uma aproximação de parlamentares com o então presidente da Corte, Dias Toffoli, em um jantar conjunto do ministro com a bancada naquele ano.

O Estadão mostrou que Flávio via Toffoli como uma autoridade que trazia estabilidade para o cenário político nacional. Agora, o senador quer investigar o mesmo magistrado.

Foi Toffoli o autor da ordem que paralisou todas as investigações no País que utilizassem informações de órgãos de controle sem aval da Justiça. A decisão teve como base um pedido de Flávio. O então presidente do STF apontou ilegalidade no compartilhamento dos dados do Conselho do Controle de Atividades Financeiras (Coaf) com o Ministério Público do Rio de Janeiro sem a prévia autorização judicial.

Essa decisão à época favoreceu Flávio, que era alvo de investigação que apurava organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro em caso de suspeita de “rachadinha”. Dois anos depois, em 2021, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou as decisões anteriores sobre o caso.

 

 

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